Para aqueles ( que devem ser muitos ) que não sabem o que me hão-de ( ainda tem hifen ?) oferecer no dia do meu 55º aniversário ( já só faltam 2 meses e uns dias ) , deixem de se preocupar. Basta irem aqui (clicar) e encomendarem esta mesa de matrequilhos. Vá despachem-se que a procura deve ser muita.
Os meus agradecimentos à Papoila .
09/04/08
Podem oferecer-me este jogo de matrecos e só este
08/04/08
Desde Havana, Cuba
O blogue Generación Y de Yoani Sánchez, nascida em 1975. De leitura obrigatória. Premiado pelo El País com o Prémio de Jornalismo Ortega y Gasset.
07/04/08
Ditaduras e advinhas
À pergunta : " Qual a ditadura que o PCP não apoia ?"
Alguém com sentido de humor (??) me respondeu : " A do Sócrates."
Curiosos os tempos em que um partido dito de esquerda apoia tudo o que é ditadura ( China, Coreia do Norte, Cuba, Zimbabwe) , tem uma posição ambígua em relação aos regimes teocráticos islâmicos ( Israel oblige ), apoia bandos de narcotraficantes como as FARC e brinca às manifestações anti-fascistas em Portugal.
A Incerteza da Vida
Homem que plantaste a árvore,
Porventura sabes se a vida consente
Que sejas tu a colher a maçã?
Terás a certeza de poder olhar
A folhagem verde a vestir os ramos
E os rebentos viçosos amadurarem?
Detém-te e pensa, um só momento,
Que perdes a vida e não serás tu
A ver o esplendor do pomar em flor.
E tu lhe deste a água da sua sede
E uma estaca para se amparar.
Assim é o mundo onde vivemos!
Assim é o mundo onde vivemos!
Ainda que venhas a ter na mão
O fruto maduro da adulta árvore,
Nunca te iludas meu bom amigo.
Nada te diz que possas gozar
O sabor do fruto que veio da flor
Que enfeita a árvore do teu jardim
A morte é senhora de todas as dúvidas!
E não é prudente e de bom aviso
Que o dono legítimo do belo jardim
Seja o vigia do crescimento
Da macieira mimosa e frágil
E esqueça os cuidados que lhe pede a alma.
Giolla Brighde O'Heoghusa, poeta irlandês do século XVI.
No livro "A Perfeita Harmonia, poemas celtas da natureza"
Editado pela Assírio & Alvim
Tradução de José Domingos Morais
06/04/08
SLEUTH - 35 anos depois ( conclusão )
No dia 2 de Abril disse que ia arriscar. Arrisquei ontem. Fui ver SLEUTH de Kenneth Branagh com Michael Cane e Jude Law. Gostei e recomendo quer a quem viu quer a quem não viu o Sleuth de Joseph Mankiewicz há 35 anos. Um boa história com bons actores dá (quase) sempre um bom filme. Foi o que aconteceu agora e há 35 anos. E gostei de ver Michael Cane no papel de Laurence Olivier em 1972. Bem sei que não sou crítico de cinema...mas isso interessa ?Jim Clark
O escocês voador. Um dos ídolos desportivos da minha adolescência. Quando a Lotus de Colin Chapman dominava a Fórmula 1. Morreu há 40 anos.
05/04/08
04/04/08
Beatas no Chiado
Hoje foi dia de almoço com amigos, ali no Buffet da Praça da Ribeira. Aproveito o dia de sol e saio mais cedo para passear pelo Chiado. Ao fim da manhã sento-me na esplanada da Benard. Para uma "Água das Pedras" e uma bica. Sou logo contemplado com a habitual simpatia do empregado que a um sinal meu, me responde : "Calma, isto é um de cada vez." E atende alguém que chegou depois de mim. Tudo bem, não tenho pressa. Olho à minha volta. Muitos turistas. À porta da Brasileira um acordeonista, possivelmente emigrante de leste. Na esquina da Benetton um artesão de bonecos de arame sem grande originalidade e sobre o sujo. À porta da mesma uma engraixadora de sapatos com o sócio. Qual deles o mais sujo. Vejo um senhor engravatado falar com eles. Não percebo se é alguém da Benetton. Se era nada aconteceu. Lá continuaram. Sem clientes e com o mesmo ar sujo. Uma cigana tenta vender óculos de sol de qualidade duvidosa a quem já os tem, seja turista ou não. O empregado da pastelaria pergunta-me finalmente o que quero. Respondo-lhe. Serve-me, passados uns minutos, trazendo a chávena , copo e garrafa nas mãos. Tabuleiros é coisa que já não se usa. Puxo do meu cigarro, acendo-o. Cinzeiros nem vê-los. Nem na minha mesa nem em nenhuma. Lá dou uso ao meu cinzeiro de bolso. E assim passei meia hora. O chão está cheio de beatas. Pergunto para os meus botões : estarão os nossos industriais da restauração ( nome pomposo ) à espera que qualquer autoridade ( Câmara ou Governo ) os obrigue a ter cinzeiros nas mesas das esplanadas para assim iniciarem mais uma campanha anti-fascista ?Haja paciência.
03/04/08
Dia nº 344
Regressei tarde. Já faltou mais...
mas não haverá carpete vermelha na inauguração.
Estejam descansados.
02/04/08
1972 - SLEUTH - 2007
SLEUTH ( em português "A Autópsia de um Crime" ) é um filme de 1972 de Joseph Mankiewicz, com Laurence Olivier no papel de Andrew Wike e Michael Cane no papel de Milo Tindle.
Em 2007 Kenneth Branagh arrisca um remake , ainda com Michael Cane, agora no papel de Andrew Wike, e Jude Law no de Milo Tindle.
A estreia é esta semana. Vou arriscar ir vê-lo. Digo arriscar porque o filme de Mankiewicz é extraordinário. São 138 minutos só ( ou praticamente ) com Laurence Olivier e Michael Cane em cena. O escritor de romances policiais bem instalado na vida ( Laurence Olivier ) convida o cabeleireiro ( e amante ) italiano ( Michael Cane ) da mulher para a sua mansão para num jogo ( ou série de jogos ? ) de dominação se vingar dele. Vencerá ?
Vamos ver como se sai Michael Cane agora no papel contrário.
A não perder apesar da eventual desilusão para quem já viu o original. Para quem não o viu sugiro que aproveite e tente vê-lo, se bem que seja difícil já que não acredito que o reponham no circuito comercial. Mas pode ser que haja o DVD.
( continua )
01/04/08
Zimbabwe : boas notícias ? Esperemos que sim
A oposição em negociações com o exército (clicar)
A ver vamos se Mugabe revela, ao fim de 30 anos, algum bom senso e esperemos que a oposição saiba gerir a vitória sem humilhar os derrotados iniciando a recuperação democrática num país roubado e destruido por um ditador.
31/03/08
Telemóveis no paraíso
Cuba já era um paraíso para alguns, poucos. Agora desde que o mano Raul sucedeu ao mano Fidel, o Vaticano vai ter que rever a localização geográfica do paraíso. Primeiro foram os electrodomésticos e afins, de seguida os cubanos já passaram a poder dormir em hotéis e comprar medicamentos em qualquer farmácia e agora até poderão comprar telemóveis. Poderão ? Com o nível de salários duvido, a não ser que os primos da Florida enviem uns dolares. Foto : EFE / El País de 28.03.08
Golpe de Estado no Zimbabwe
Pelo menos é o que o Sr. Robert Mugabe diz do facto da oposição ( que terá ganho as eleições presidenciais ) querer revelar o resultado eleitoral antes da Comissão Eleitoral o fazer oficialmente, como podemos ler aqui.
Francamente Sr. Mugabe, ainda não percebeu que ao fim de 30 anos estamos todos fartos da sua cara ?
Não transforme a sua derrota numa derrota do seu povo e evite um banho de sangue.
30/03/08
29/03/08
Resolução de problemas
Liste, por ordem decrescente, os 10 principais problemas que tem para resolver ( profissionais, pessoais, políticos, etc ).
Resolva os dois primeiros, ou seja os dois mais importantes.
Vai ver que fica com 80% dos mesmos resolvidos.
Parece-me que é o que o Eng. Sócrates anda a fazer desde o início do ano. Os outros são aprendizes de políticos que andam atrás da gritaria da rua, pensando que são vanguardas.
28/03/08
27/03/08
Subidas e descidas do IVA
Quando o IVA sobe afecta negativamente a vida dos portugueses.
Quando o IVA desce afecta negativamente a vida dos portugueses.
Foi o que conclui depois de ouvir os leaders dos partidos da oposição, os fazedores de opinião e os jornalistas dos telejornais.
Haja paciência.
26/03/08
Manchete para os jornais não desportivos de amanhã :
SÓCRATES 2 - PORTUGAL 0
( uma ideia vinda de Bilbao por sms )
FENPROF 0 - Tribunais Administrativos ?
Alguém me pode informar do resultado deste jogo ? É que aqui atrasado constava que a Fenprof estava a ganhar o jogo, mas lendo isto (clicar) fico com a ideia que a Fenprof está a levar uma cabazada.
Eu se fosse professor sindicalizado exigia a demissão do treinador, o Sr. Mário Nogueira, que tem a distinta lata de dizer que as providências cautelares estão a " cumprir os objectivos ". Na prática quer dizer que serviram para andar a empatar. Este Mário Nogueira é um verdadeiro empata.
P.S. : via Câmara Corporativa
25/03/08
Os rascas e os betinhos
Os rascas nunca existiram antes de nós. São sempre os nosso filhos ou os amigos. Aparecem sempre uma geração ( ou geração e meia ) depois da nossa. Esquecemo-nos é que os nosso pais ( e a sua geração ) diziam o mesmo de nós quando eramos adolescentes.
A rasquice ou paneleirice ( ainda não havia gays ) que era usar cabelo comprido ( os guedelhudos ). E se vestissemos umas camisas às flores com calças à boca de sino, era a excomunhão. E as miúdas de mini saia ? Até se viam as cuecas para tristeza ( ou não ?! ) dos bons chefes de familía. Ouviam insultos públicos ou levavam mesmo umas bengaladas dos velhos que as usavam ( às bengalas ). E quando fumámos os primeiros charros ? E as brutas marmeladas em público, para escândalo das mães, tias e professores ? Se fosse no liceu dava direito a punição. Para os nossos pais e professores eramos a geração perdida que nunca havia de chegar a lado nenhum. Ir à boleia para o Algarve e acampar à balda com companhias pouco recomendaveis era a variante de Verão do deboche do ano lectivo. Depois quando entrámos nas universidades e alguns de nós nos metemos nas associações de estudantes e/ou organizações políticas clandestinas ( a famosa política ) foi a confirmação de que não tinhamos futuro. Estavamos perdidos. Fomos a geração da " Droga, loucura e morte ", como diziam os cartazes que Marcelo Caetano mandou colar pelo país todo, em Junho de 1972.
Como é óbvio não eramos todos assim. Havia também os betinhos, ou copos de leite ou ainda os meninos da mamã, vulgo os bem comportados que nos chamavam indisciplinados, hippies, revolucionários, etc dependente da cartilha paternal.
Que os betinhos de ontem digam que a escola de então era exemplar e só havia bons professores e alunos disciplinados ainda compreendo. Quem nasce betinho morre betinho. Agora que os rascas de então façam a apologia dessa escola e desse ensino já me faz mais impressão, para ser meigo.
Convém ter memória, até porque ela permitirá lidar de uma forma adequada com a actual indisciplina dos adolescentes, sabendo que vivemos num estado democrático pelo qual muitos de nós lutámos.
Quanto aos betinhos que andam hoje muito escandalizados com a actual indisciplina escolar recordo que nesse tempo não se escandalizaram nem com as arbitrariedades das autoridades escolares e académicas nem com o estado autoritário e de partido único em que vivíamos. Pois! Agora , ser anti-fascista e betinho em 2008 é fácil.
Mas pior espécie são os rascas de então transformados em betinhos aos 50 anos. Poupem-me.
24/03/08
O que não se aprende na escola ( III ) : fazer perguntas
Fazer perguntas é incómodo. Não para quem as faz mas para quem tem de responder. Responder exige não só conhecimento e memória, mas também ter que exercitar os neurónios e aceitar o confronto de ideias. Nas escolas, tradicionalmente, a transmissão do conhecimento é feita num só sentido : do professor para o aluno. Quem detém o conhecimento ( o poder ) é o professor e como tal convém não lhe fazer perguntas. A resposta, se incorrecta, pode revelar ignorância. E o professor nunca pode dizer : "Não sei ". Quando a pergunta é mais difícil : ou não há tempo para dar a resposta ou a pergunta é estúpida. Recordo uma vez mais : " Não há perguntas estúpidas, só respostas."A escola funcionou assim muito tempo até porque era difícil ter acesso ao conhecimento por outra via, pelo menos para a maioria do alunos. Quando este paradigma se altera todos temos que saber fazer perguntas, professores incluidos, sem medo que isso revele fraqueza ou falta de autoridade. Até porque a uma pergunta para a qual se não sabe, de momento, a resposta podemos sempre responder : " Vou estudar o assunto e amanhã dou-te a resposta."
23/03/08
Professores indignados, polícias e coelhos de Páscoa
... e já agora quando é que o Ministro da Administração Interna nos informa das conclusões do inquérito sobre os polícias que visitaram três ou quatro escolas antes da manifestação de professores do dia 8 de Março ? Já passaram duas semanas, Sr. Ministro.Será assim tão difícil saber o nome dos agentes da autoridade, o nome de quem lhes deu as ordens e já agora o nome dos funcionários escolares com quem falaram ? Ou terá sido tudo virtual ?
Curioso também o silêncio da FENPROF. Parece que a indignação se esgotou no dia 8. Mais indignados estão, nesta altura, os Coelhos de Páscoa que nem sindicalizados são e que nunca conhecerão os resultados do inquérito.
22/03/08
2º Aniversário do blogue : mais agradecimentos
A festa do 2º aniversário do blogue prolongou-se e ainda recebi os parabéns da Ana Matos Pires , da Maria Antunes, da Papoila e do Pedro Correia. A quem agradeço.
E também à Galeota uma visitante regular que amavelmente vai deixando comentários na caixa de alucinações.
21/03/08
Quando não havia telemóveis, Youtube e quejandos, nem na escola nem fora dela
O alarido que para aí vai por causa de uma cena numa sala de aulas num liceu ( desculpem é da idade ) do Porto. Deu abertura nos tele-jornais. Entrevistas a especialistas e sindicalistas. Os blogues passam o video. Os comentários são mais que muitos. E tudo porque uma aluna que tinha o telemóvel ligado recusou-se a dá-lo à professora e esta qual jovem colega da dita comporta-se à altura. Pareciam duas crianças a disputarem um brinquedo. Outra filmou e pôs a cena no Youtube. Sucesso garantido. Top de audiências.
" Já não há autoridade !", clamam uns. Outros dizem : " Ao que chegou a escola pública!". Os mais radicais culpam a ministra pela ocorrência e quase exigem a sua demissão. Os saudosistas dizem : " Noutros tempos isto não acontecia ! ". Os mais autoritários sonham com o regresso ao passado de mais de 34 anos.
Eu sei que vou a caminho dos 55 anos, se bem que em sonhos comece a pensar que são 57 !!! Deve ser Alzheimer precoce, que no entanto ainda não me afectou a memória. E então voltei aos meus tempos de liceu. Outra vez ? Isso já não existe pá. Está bem, mas existia no meu tempo de miúdo e adolescente. Bem sei que não era frequentado por todos. A maioria, nesses tempos, tinha que se fazer cedo ao trabalho, que isso de estudar era um luxo e filhos de operários e criadas não o podiam suportar. Eramos filhos de gente de bem. De Doutores, de Arquitectos, de Médicos, de Engenheiros, de Quadros da Função Pública, de Militares. Tudo pessoal bem comportado.
Já me esqueci de quando no 1º ano do liceu, ainda em Luanda, no Liceu Salvador Correia colocavamos baratas dentro do livro de ponto quando se tratava de uma professora mais assustadiça e jovem. Ou quando fazíamos corridas das mesmas ( baratas , mas vivas ) nos corredores entre as carteiras. E as vezes que o livro de ponto desaparecia ? Pena não haver telemóveis e Youtube.
Ou quando já, no Liceu de Oeiras, no 2º ciclo, recebemos uma nova professora, que sabíamos ter enviuvado há pouco tempo, com um "Parabéns a você", logo no 1º dia de aulas. A professora saiu da sala lavada em lágrimas. Deu em suspensão colectiva de 3 dias e discurso do reitor Mexia aos prevaricadores. Ainda não havia essas modernices de internet para as mostramos ao país. A sua divulgação era oral e ficava pelo liceu e familares preocupados com a nossa falta de respeito.
E o gozo que era colocar uma folha A4 , com um dizer insultoso (tipo "Sou burro" ), com um bocado de fita cola nas costas do professor de desenho do 2º ciclo.
E já nas aulas de 6º e 7º ano, de Matemática Moderna, aproveitando a surdez do saudoso Professor Silva Paulo ( que usava o típico aparelho sonoro com pilha num dos ouvidos ) contarmos anedotas em voz alta para fazer rir a turma toda e assim alguém conseguir ir para o olho da rua com uma falta de castigo, mesmo que não tivesse sido o engraçadinho.
Continuava a não haver nem videos, nem telemóveis, nem outras modernices.
E podia continuar o dia todo a contar histórias de como jovens de boas famílias se comportavam mal, no liceu ou fora dele. Como as então famosas 6ª feiras de Carnaval nos comboios da Linha do Estoril , cujas composições de Oeiras para Algés e para Cascais eram autênticos campos de batalha com ovos podres, fulminantes, garrafinhas de mau cheiro e tudo o resto. Como é óbvio o normal cidadão, que não fosse aluno do liceu , nem se atrevia a entrar no comboio. Esse era território dos selvagens liceais. Até metia polícia e tudo.
E como é óbvio, nunca nenhum de nós falsificou a assinatura do pai ou da mãe nos pontos ( leia-se à moderna : testes ) que os professores nos pediam para eles ( pais ) assinarem para terem conhecimento da nota, geralmente quando era um medíocre ou um mau.
Querem que continue a falar dos tempos em que só havia meninos bem comportados e bons professores nos liceus ou já estão cansados de tanta javardeira ?
Por acaso ( ou não ) alguns deles são ou já foram governantes ou deputados da nação. Outros até serão chefes militares. Muitos são excelentes médicos, engenheiros, arquitectos, gestores de multinacioonais, etc, perante a incredulidade dos respectivos progenitores. E quase todos serão bons chefes de família. Pelos vistos as indisciplinas juvenis não causaram mal nenhum ao mundo. A sorte deve ter sido não haver, à época, telemóveis, videos, Youtube, internet e restantes modernices. As selvajarias ficavam todas em família e dentro das paredes da sala de aula ou dos muros do liceu, excepto os ataques carnavalescos aos comboios.
Mas havia, como hoje, professores , alunos e encarregados de educação.
E havia como hoje " Quem não se desse ao respeito..." (clicar)
" Já não há autoridade !", clamam uns. Outros dizem : " Ao que chegou a escola pública!". Os mais radicais culpam a ministra pela ocorrência e quase exigem a sua demissão. Os saudosistas dizem : " Noutros tempos isto não acontecia ! ". Os mais autoritários sonham com o regresso ao passado de mais de 34 anos.
Eu sei que vou a caminho dos 55 anos, se bem que em sonhos comece a pensar que são 57 !!! Deve ser Alzheimer precoce, que no entanto ainda não me afectou a memória. E então voltei aos meus tempos de liceu. Outra vez ? Isso já não existe pá. Está bem, mas existia no meu tempo de miúdo e adolescente. Bem sei que não era frequentado por todos. A maioria, nesses tempos, tinha que se fazer cedo ao trabalho, que isso de estudar era um luxo e filhos de operários e criadas não o podiam suportar. Eramos filhos de gente de bem. De Doutores, de Arquitectos, de Médicos, de Engenheiros, de Quadros da Função Pública, de Militares. Tudo pessoal bem comportado.
Já me esqueci de quando no 1º ano do liceu, ainda em Luanda, no Liceu Salvador Correia colocavamos baratas dentro do livro de ponto quando se tratava de uma professora mais assustadiça e jovem. Ou quando fazíamos corridas das mesmas ( baratas , mas vivas ) nos corredores entre as carteiras. E as vezes que o livro de ponto desaparecia ? Pena não haver telemóveis e Youtube.
Ou quando já, no Liceu de Oeiras, no 2º ciclo, recebemos uma nova professora, que sabíamos ter enviuvado há pouco tempo, com um "Parabéns a você", logo no 1º dia de aulas. A professora saiu da sala lavada em lágrimas. Deu em suspensão colectiva de 3 dias e discurso do reitor Mexia aos prevaricadores. Ainda não havia essas modernices de internet para as mostramos ao país. A sua divulgação era oral e ficava pelo liceu e familares preocupados com a nossa falta de respeito.
E o gozo que era colocar uma folha A4 , com um dizer insultoso (tipo "Sou burro" ), com um bocado de fita cola nas costas do professor de desenho do 2º ciclo.
E já nas aulas de 6º e 7º ano, de Matemática Moderna, aproveitando a surdez do saudoso Professor Silva Paulo ( que usava o típico aparelho sonoro com pilha num dos ouvidos ) contarmos anedotas em voz alta para fazer rir a turma toda e assim alguém conseguir ir para o olho da rua com uma falta de castigo, mesmo que não tivesse sido o engraçadinho.
Continuava a não haver nem videos, nem telemóveis, nem outras modernices.
E podia continuar o dia todo a contar histórias de como jovens de boas famílias se comportavam mal, no liceu ou fora dele. Como as então famosas 6ª feiras de Carnaval nos comboios da Linha do Estoril , cujas composições de Oeiras para Algés e para Cascais eram autênticos campos de batalha com ovos podres, fulminantes, garrafinhas de mau cheiro e tudo o resto. Como é óbvio o normal cidadão, que não fosse aluno do liceu , nem se atrevia a entrar no comboio. Esse era território dos selvagens liceais. Até metia polícia e tudo.
E como é óbvio, nunca nenhum de nós falsificou a assinatura do pai ou da mãe nos pontos ( leia-se à moderna : testes ) que os professores nos pediam para eles ( pais ) assinarem para terem conhecimento da nota, geralmente quando era um medíocre ou um mau.
Querem que continue a falar dos tempos em que só havia meninos bem comportados e bons professores nos liceus ou já estão cansados de tanta javardeira ?
Por acaso ( ou não ) alguns deles são ou já foram governantes ou deputados da nação. Outros até serão chefes militares. Muitos são excelentes médicos, engenheiros, arquitectos, gestores de multinacioonais, etc, perante a incredulidade dos respectivos progenitores. E quase todos serão bons chefes de família. Pelos vistos as indisciplinas juvenis não causaram mal nenhum ao mundo. A sorte deve ter sido não haver, à época, telemóveis, videos, Youtube, internet e restantes modernices. As selvajarias ficavam todas em família e dentro das paredes da sala de aula ou dos muros do liceu, excepto os ataques carnavalescos aos comboios.
Mas havia, como hoje, professores , alunos e encarregados de educação.
E havia como hoje " Quem não se desse ao respeito..." (clicar)
20/03/08
TIBETE : um testemunho da repressão policial chinesa
"Vimos a maior violência policial que podem imaginar, sobre pessoas desarmadas." (clicar) o testemunho de Clara que o Luis Carmelo divulga no Miniscente.
2º Aniversário do blogue : agradecimentos
Em final de semana das comemorações do 2º aniversário os meus agradecimentos ao Al-Kantara, à Ana, à Carminda, à Cristina, ao Eduardo Graça, ao Expresso da Linha, ao Fernando Pessoa, ao Grujna ( quando é que voltas ao nosso convívio, Levezinho ? ), ao José Pimentel Teixeira, ao Luis Novais Tito, ao PDuarte e à Shyznogud por se terem lembrado. E à Paula que sem blogue anda por Moçambique.
19/03/08
18/03/08
The party is over. Voltemos à rotina
E as comemorações do 2º aniversário do blogue terminaram. Com grande pena minha. Agora só valerá a pena comemorar o 5º aniversário e verificar se nessa altura continuo a ser único (clicar). Até lá :
Gostaria de estar em Itapoã a conversar com o Vinicius
" A passagem de Vinicius de Moraes pela Bahia, nós podemos resumir como uma passagem em Itapoã. Porque aonde realmente ele sentiu uma Bahia, mas uma mais morna. Mais cheia de encanto, uma Bahia cercada de uma paisagem muito bonita. E esta sua passagem por Itapoã marcou porque nós nos reuníamos aqui, eu no meu ateliê que era perto da casa dele, então, todas as manhãs nós conversamos até ao fim do dia. Mas conversávamos sobre o quê ? Sobre a coisa que a vida tem de boa, as coisas amenas, então, não queríamos mudar nada, queríamos aceitar a vida como ela era : gostosa, morna, engraçada. Então, a nossa conversa sobre como a gente podia ver um dia em Itapoã. Era o nascer do sol ao morrer do sol, às vezes sem fazer absolutamente nada : que chega um tempo que você descobre que o bom é não fazer nada. É ver o dia passar. No dia que você consegue como nós conseguimos, eu e Vinicius, conversando sobre amenidades, ver o dia passar, da manhã até o sol se por. É quando você realmente está tranquilo, aonde você não é neurótico, onde as coisas estão muito mais presas ao seu íntimo. Então, era isso a nossa vida em Itapoã com Vinicius de Moraes. "
Depoimento de Calazans Netto no CD "Vinicius - 90 anos"
O Estúdio 444 foi aqui :
Na Avenida Defensores de Chaves. Quase a
chegar ao Campo Pequeno. Lisboa.
chegar ao Campo Pequeno. Lisboa.
Há 35 anos vi aqui "Deliverance".
Foto minha de 2006.
Foto minha de 2006.
17/03/08
Os sindicatos dos professores foram recebidos por Cavaco Silva ?
Durante o dia, pelo que ia ouvindo nas rádios e TV's, fiquei com a ideia que sim. Depois num dos telejornais das 20 horas ( já não sei qual ) quando vi os sindicalistas sairem pela porta do fundo do Palácio de Belém, ou seja a que dá para a Calçada da Ajuda, pensei cá para os meus botões : " Aqui há gato!".
E não é que havia mesmo ?
E não é que havia mesmo ?
Os dirigentes sindicais NÃO FORAM RECEBIDOS POR CAVACO SILVA mas pela assessora para a Educação do Presidente (clicar) .
Se a isto juntarmos o que David Justino escreveu aqui, parece-me que Cavaco Silva deixa bem clara qual a sua posição sobre o tema educação.
Se a isto juntarmos o que David Justino escreveu aqui, parece-me que Cavaco Silva deixa bem clara qual a sua posição sobre o tema educação.
Vamos ver se os sindicatos perceberam ou se vão optar por um processo de luta que os deixará isolados não só perante a população mas perante os professores indignados que se manifestaram no dia 8 de Março.
O 1º post
O primeiro post do blogue foi este. Faz agora dois anos. Escolhi o nome do blogue porque Deliverance é um dos "meus filmes" e porque, na altura, pensava escrever só aos fins de semana. Acabei por escrever quase diariamente e publiquei até hoje cerca de 1220 posts. Neste 2º aniversário recordo o cartaz do filme :
16/03/08
A Primavera. Lisboa .José Cardoso Pires
José Cardoso Pires morreu a 26 de Outubro de 1998. Quase há 10 anos. As Edições de Nelson de Matos lançaram agora um inédito, que terá sido escrito em 1963. O seu título : " Lavagante, encontro desabitado ". São 88 páginas deslumbrantes. Só Cardoso Pires podia escrever isto :" Depois de meses e meses de chuva cerrada, a Primavera, com uma persistência vegetal, secreta, conseguira vencer o manto húmido que pesava sobre a cidade. Nas últimas semanas, o ar estava ligeiro, aliviado, e era a Primavera, finalmente a Primavera, tal como ela costumava chegar a Lisboa depois de muitas hesitações e de muito trabalho para vencer as nuvens da costa."
Marilyn Monroe canta-me os parabéns
O meu 1º post saiu com a data de 16 de Março de 2006 se bem que tenha ido para o ar dois dias depois, a 18. Se ainda hoje não domino as teclas, os Html, templates e os etc calculem o que seria há dois anos. Mas começo bem o dia com a Marilyn Monroe a cantar-me os parabéns :
E estejam atentos que as celebrações se prolongam até dia 18.
Etiquetas:
1º Balcão,
2º Aniversário,
Discoteca,
Pessoal,
Prazeres
15/03/08
Leituras aquando da bica matinal
" Espanta-me a falta de reflexão sobre a inversão ética da tese aqui contida : se alguém se recusa a subscrever as opiniões que emite é porque está com medo; e, se está com medo, é a prova de que a liberdade está ameaçada. Onde houver um cobarde, portanto, será sempre sinal de que a liberdade está em perigo - a conclusão até pode estar certa filosoficamente, o caminho para lá chegar é que representa uma inversão de valores. Se todos falássemos sob anonimato sem dúvida que viveríamos ainda em ditadura. E sabem quem seriam os primeiros a calar-se? "
Último parágrafo do texto de Miguel Soussa Tavares, na pág. 7 do "Expresso" de hoje, com o título " Disseram Liberdade ?". A ler na íntegra.
No paraíso os indígenas não podiam dormir em hotéis
Cuidado Raul que o mano Fidel ainda não morreu e é capaz de não gostar de todas estas remodelações no paraíso.
E já agora uma pergunta : as putas cubanas iam com os clientes para onde ?
14/03/08
Catálogo de Preços do Amor
Clicar no folheto para ampliar.
Enviado por Artur S., via e-mail. Os meus agradecimentos
Enviado por Artur S., via e-mail. Os meus agradecimentos
13/03/08
Já se podem comprar electrodomésticos e afins no Paraíso
P.S. : já depois de editar este post reparei que o mais correcto será dizer que os electrodomésticos já se podem vender...resta saber se o cidadão comum, com os salários de fome, tem possibilidade de os comprar.
Caso de polícia
Eu diria que protestos como este, a verificarem-se (clicar), são em democracia casos de polícia.
Mas já que anda por aí tão boa gente com a boca cheia de fascismo, salazarismos e outros ismos estou também nessa onda e direi que o Partido Comunista Português é um partido social-fascista.
Para quem não estiver nessa onda recomendo a leitura de Democracia, do Tiago e Distracções, do Tomás Vasques.
12/03/08
Mário Nogueira : de escuteiro mirim a sindicalista profissional
Isto de sindicalistas revelarem a sua intimidade em entrevistas a jornais burgueses, como o "Expresso" comove-me. Foi o que fez Mário Nogueira, patrão da FENPROF, à revista ÚNICA, de 8 de Março, e fiquei a saber :- que nasceu em 1958, pois tem 50 anos, e que dos 8 aos 15 foi escuteiro para não ir para a Mocidade Portuguesa ( e pergunto eu : em 1966 ainda era obrigatório ir para a Mocidade ???? Ou disse isto para mostrar o seu pedigree anti-fascista ?). Saiu dos escuteiros porque as miúdas não gostavam de ver adolescentes de calções (sic)
- "Nunca fui muito namoradeiro" ...mas sempre " tive um espírito muito lúdico e de aceitar desafios." Vai daí : " Estou casado com a minha mulher há 29 anos."
- "Não gosto de viajar, mas gostava de fazer o percurso do Egipto, subir o Nilo."
- É professor do primeiro ciclo do ensino básico ( com Licenciatura em Educação especial) e sindicalista há 17 ou 18 anos , donde concluo que deve ter sido professor uns 10 a 12 anos e desde 1990 que não o é. Mas diz : " Ser sindicalista não é profissão."
- Mas : "Tenho a certeza absoluta que voltarei um dia a dar aulas."
- " Entre plenários e reuniões de escola já fiz mais de duzentas sessões por ano. Hoje já não consigo fazer tantas."
Uma carreira fulgurante ! Não como professor mas como sindicalista não profissional (??!!!).
Ó Mário, estás tramado se a classe operária toma o poder. Vais logo para um campo de reeducação.
ERA NA VELHA CASA
a Ode Marítima de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa num projecto fotográfico de André Gomes. Estreou ontem na Sala de Exposições do Museu da Electricidade em Lisboa.Poema dito por João Garcia Miguel.
Gostei e recomendo.
A exposição está até 27 de Abril de 2008.
Mais informações em Fundação EDP (clicar)
11/03/08
DIG, LAZARUS, DIG !!!
Nick Cave & The Bad Seeds
[Dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Back in that hole.]
Larry made his nest high up in the autumn branches
Built from nothing but high hopes and thin air
He collected up some baby blasted mothers who took their chances
And for a while they lived quite happily up there
He came from New York city man, but he couldn’t take the pace
He thought it was like dog eat dog world
Then he went to San Francisco, spent a year in outer space
With a sweet little San Fransiscan girl.
I can hear my mother wailing and a whole lot of scraping of chairs
I don’t know what it is but there’s definitely something going on upstairs
[Dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
(I want you to dig)[Back in that hole.]
(I want you to dig)
(I want you to dig)Meanwhile Larry made up names for the ladies
Like miss Boo and miss Quick
He stockpiled weapons and took potshots in the air
He feasted on their lovely bodies like a lunatic
And wrapped himself up in their soft yellow hair
I can hear chants and incantations and some guy is mentioning me in his prayers.
Well, I don’t know what it is but there’s definitely something going on upstairs
[Dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
(I want you to dig)[Back in that hole.]
(I want you to dig)
(I want you to dig)Well L New York City man, San Francisco, LA, I don’t know
But Larry grew increasingly neurotic and obscene
I mean he, he never asked to be raised from the tomb
I mean no one ever actually asked him to forsake his dreams
He ended up like so many of them do, back on the streets of New York City
In a soup queue, a dopefiend, a slave, then prison, then the madhouse, then the grave
Ah poor Larry.
But what do we really know of the dead And who actually cares?
Well, I don’t know what it is but there’s definitely something going on upstairs.[Dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
[Laz’rus dig yourself]
(I want you to dig)[Back in that hole Dig yourself]
10/03/08
Avaliação de professores
a SIC acaba de dedicar os primeiros 38 minutos do Jornal da Noite ao tema. Pelo menos o Jesualdo Ferreira é professor. Já o Camacho e o Paulo Bento acho que não e o Rui Santos de certeza que não é.
Espanha : as comparações mal amanhadas
O PSOE de Zapatero ganhou ontem as eleições em Espanha. Sem maioria absoluta, mas com reforço do número de deputados, o que aliás também aconteceu com o PP de Rajoy.
A esquerda portuguesa festeja. Eu também. Mas certa esquerda (??) portuguesa compara o que se passa actualmente em Espanha com Portugal e diz ter pena que José Sócrates não siga as pisadas de Zapatero.
A questão é que a compararmos Portugal com Espanha e Sócrates com algum dirigente socialista espanhol devíamos, por uma questão de honestidade intelectual, recuar aos tempos de Felipe Gonzalez, que foi Presidente do Governo espanhol de 1982 a 1996. Em 82 e 86 com maiorias absolutas e depois sem elas. Durante este período a taxa de desemprego chegou quase aos 20%. "Apanhou" com três greves gerais ( 1988 - 1992 e 1994 ) que contaram com a participação da UGT espanhola e também das Comisiones Obreras ( de influência comunista) , o que levou ao distanciamento entre o PSOE e a central sindical. Mas fez as reformas que tinham que ser feitas e transformou Espanha num país competitivo e moderno, que enche ( agora ) a boca de todos os parolos portugueses.
Lembram-se de quem governava Portugal no tempo de Gonzalez ? Não ? Então eu refresco-vos a memória : o Prof. Anibal Cavaco Silva ( 1985 a 1995 ), até lhe chamaram o reformador (??!!).
E já agora sabem quantas greves gerais houve em Espanha no tempo de Aznar ( 1996 a 2004 ). Não ? Então fixem : uma, em 2002.
Trabalhei em Espanha no período de Gonzalez. De 1988 a 1991. Num período em que as empresas espanholas, apesar das dificuldades, contratavam consultores de redução de custos para reduzir o número de trabalhadores. Em Portugal tinham medo de o fazer, daí eu ter ido trabalhar para Espanha, já que a empresa de consultoria para a qual trabalhava não conseguia trabalho em Portugal.
De Madrid ao País Basco, passando pela Catalunha, Valência e Maiorca percorri quase toda a Espanha e verifiquei no terreno a diferença entre o que é uma sociedade dinâmica com vontade de mudar e correr riscos e o que é uma sociedade cinzenta, de corporações que apenas defendem os seus interesses e incapaz de correr riscos.
P.S. : muito gostava eu de saber o que dizia, à época, esta esquerda (??) de Felipe Gonzalez
09/03/08
Reviver o passado em Lisboa ( em versão travesti )
Há duas e três décadas atrás eram operários reais. De fato de macaco e capacete. Musculados. Cheiravam a suor. Vinham da cintura industrial de Lisboa e Setúbal. Quando desciam a Avenida da Liberdade e passavam à frente da sede do PCP , no antigo hotel Vitória, lá estava o Comité Central que embevecido os saudava qual vanguarda iluminada. À época, os professores seriam os representantes de uma pequena burguesia que tinham medo da revolução mas necessários à mesma. Quando a classe operária tomasse o poder seriam reeducados. Hoje os operários continuam a existir mas os da cintura industrial de Lisboa e Setúbal reinvidicarão eventualmente aumentos salariais , outra regalias e acima de tudo a defesa do posto de trabalho. Da conquista do poder já se esqueceram. Agora quem desce a Avenida da Liberdade são professores que continuam pequeno-burgueses como Jerónimo de Sousa relembra, para as câmaras de televisão, ao afirmar "não serem a vanguarda" ( sic ). O Comité Central do PCP continua a marcar presença no mesmo local, nostálgico de não ver operários mas embevecido na mesma, bastava ver a cara do jovem apoiante da ditadura norte coreana Bernardino Soares que há 3 décadas ainda andava de fraldas e como tal não teve oportunidade de ver operários de carne e osso e sentir o cheiro do respectivo suor. Gostaria que os manifestantes vestissem fato macaco e usassem capacete. Mas não. São simples professores que não usam fato macaco e são bem cheirosos. Manifestam-se na defesa de interesses corporativos. Continuam pequeno-burgueses, mas na ausência de operários verdadeiros , o PCP acompanhado pelo BE , e estranhamente pelo PSD, acredita que possam conduzir à queda não só da ministra mas também de um governo democráticamente eleito, com maioria absoluta e com 1 ano e meio de legislatura para cumprir. E quem sabe despertar os operários para tomarem o poder.
Os outros 9.900.000 de portugueses fizeram a sua vida normal de um sábado de Março.
Nas próximas eleições legislativas todos os cidadãos terão oportunidade de analisar não só a acção global deste governo mas também os programas de todos os partidos e escolherão democráticamente quem os governará nos 4 anos seguintes.
Os professores enquanto classe profissional decidirão ( pelo menos os sindicalizados) também, em eleições sindicais, quando as houver, se os sindicatos defenderam convenientemente os seus interesses profissionais. Eventualmente as alternativas não serão tão amplas e variadas como as das eleições legislativas e aqueles que os dirigem há dezenas de anos serão reeleitos. Terão eles a capacidade de indignação que agora revelaram ? Mas isso é um problema dos professores.
08/03/08
Mãe, fui hoje à minha primeira manifestação ! (redacção)
Querida Mãe,
Já cheguei a Lisboa. É uma cidade muito bonita. Estou a gostar, pena que comecem a aparecer nuvens que ameaçam chuva. E não é que me esqueci do guarda chuva em casa ? Mas até já vi o Francisco Louçã. E olha que ele é mais giro ao vivo que na televisão. Já comi o almoço que me preparaste e trouxe na marmita do pai. Ainda estava quentinho. Sei que estás preocupada, pois é a primeira vez que venho a uma manifestação. Como sabes sou professora há 30 anos e nunca tive motivos para me manifestar porque tudo funcionava bem lá na minha escola. Não tinha chatices. Tudo funcionava sobre rodas e sempre tivemos governos e ministros que trataram bem de nós durante estes 30 anos. Mas agora estou muito indignada com esta ministra que quer que eu faça coisas novas para bem dos alunos e das famílias. Eu ser avaliada ? Era o que faltava. E parece que também quer que a gestão da escola tenha a participação dos pais e das autarquias. Não queria mais nada. Estou a ser humilhada e preciso de o gritar bem alto. Mas como te estava a dizer não te preocupes que isto está muito bem organizado e no fim se tiver tempo ainda vou a Belém comprar uns pastéis.
Beijos e até amanhã.
O Marquês de Pombal não apoia a manifestação dos professores
" Lembrai-vos senhores professores que, em 1761, autorizei que certos artíficies trabalhassem sem submissão à disciplina das corporações, uma vez que tinha necessidade de mão-de-obra para reconstruir Lisboa depois do terramoto de 1755."
07/03/08
Polícias e professores
Parece que dois polícias à paisana foram a duas escolas. Uma em Ourém outra no Porto. Parece que foram recolher dados para a manifestação de amanhã. Será assim tão difícil identificar esses dois agentes da autoridade ? Será ssim tão difícil saber com quem falaram nas escolas ? Será assim tão difícil saber quem lhes deu as ordens ?
Será que são polícias verdadeiros , como pergunta o Tomás Vasques (clicar)
Será que são polícias verdadeiros , como pergunta o Tomás Vasques (clicar)
"Público" : 18 anos e 2 dias de vida e quantos anos até à falência ?
Os tempos são outros e já não haverá cidadãos como Charle Foster Kane nem nos E.U.A., quanto mais em Portugal. Mas há promenores que se mantêm. Por exemplo a pergunta a fazer ao empresário Belmiro de Azevedo : " Com o "Público" a perder um milhão de dolares por ano, quantos anos levaria a fechá-lo ? ".
Charles Foster Kane demoraria 60 anos até ir à falência... tal era a sua fortuna pessoal.
06/03/08
Os gandes derrotados : os sindicatos de professores
Na maioria das negociações, entre duas partes, a melhor saída ( solução) é a de ambas as partes ganharem ( win- win ).A pior é perderem ambas ( lose - lose ).
Parece ser isto que vai acontecer no actual confronto entre sindicatos de professores e Ministério da Educação.
Mas mesmo que derrotada aos olhos dos sindicatos e dos aprendizes de políticos que para aí andam, a ministra, ao continuar com a reforma, vai permitir uma outra hipótese que é uma parte ganhar e outra perder ( win - lose ), mas a parte que ganha são os pais e os alunos que não são nenhuma das partes envolvidas no confronto, mas são apenas a maioria dos envolvidos no sistema de educação.Ao não perceberem isto os grandes derrotados são efectivamente os sindicatos.
05/03/08
04/03/08
Os Fazedores de Opinião estão uns chatos
Ontem vi os "Prós e Contras" na RTP1. O tema era a Educação, tendo como pano de fundo a actual situação do sector mas tentando ir um pouco mais além da conjuntura. Do painel de comentadores apenas um ( Manuel Vilaverde Cabral ) é o que podemos chamar Fazedor de Opinião Profissional. Os Professores João Lobo Antunes e António Câmara são presença regular nos ecrãs e jornais mas com outro estatuto. Já os outros ( Luis Palha , Estevão de Moura, Pedro Mil Homens e Carlos Coelho ) não o são, se bem que Estevão de Moura e Carlos Coelho tenham também uma presença regular em orgãos de comunicação social nas áreas em que são conhecidos pelos seus méritos profissionais.
No fim do debate confirmei algo que há já algum tempo venho verificando : os Fazedores de Opinião Profissionais estão uns chatos e na prática estão velhos e ultrapassados por uma dinâmica social que lhes escapa e por métodos de análise que se parecem cada vez mais com os dos comentadores de café. Quase todos têm uma agenda política e andam há demasiado tempo perto do poder político, para poderem trazer contributos inovadores.
Os contributos de Luis Palha ( Executivo do grupo Jerónimo Martins ) e de Pedro Mil Homens ( director da Academia do Sporting e também professor ) foram os mais estimulantes, conseguindo sair da lógica imediatista e facilitista. Estavam ali para contar histórias e uma história bem contada é sempre algo que vale a pena ouvir.
Também gostei de Estevão de Moura e Carlos Coelho ( excepto na 1ª intervenção ) que de uma forma clara disseram porque é que as reformas em curso na Educação não podem parar e que a eventual substituição da Ministra é de todo inútil.
De João Lobo Antunes e António Câmara é impossivel não gostar, mas a sua proximidade ao poder político impede-os, por vezes, de se atravessarem de uma forma clara. E a ideia de criar mediadores, tipo Kofi Anan no Quénia, para o conflito que opõem Sindicatos ao Ministério parece-me de todo desajustada. Já as desmontagens do relatório da SEDES feitas por João Lobo Antunes e Carlos Coelho foram certeiras e demolidoras.
Não seria má ideia as televisões , rádios e jornais procurarem ouvir outras pessoas que não os fazedores de opinião de serviço, que também estão a precisar de uma reciclagem.
É que José António Saraiva, Marcelo Rebelo de Sousa, José António Lima, Luis Delgado, Miguel Sousa Tavares, José Manuel Fernandes, António Barreto, Vasco Pulido Valente, Helena Matos, Constança Cunha e Sá, António Vitorino, José Pacheco Pereira, Henrique Monteiro, Fernando Madrinha , António José Teixeira, Baptista Bastos, Sarsfield Cabral, Nuno Rogeiro e tantos outros estão tão previsíveis que nalguns casos tenho a sensação que as suas actuais crónicas foram repescadas do baú das velharias por um qualquer copy paste.
Blogues de Moçambique
Vivi em Angola até aos 11 anos. Parti para Lisboa em 1964. Ainda lá não voltei. O meu irmão mais novo lá nasceu e agora por lá tem andado . Mas a atracção por África fica sempre. Moçambique não conheço. Agora também por lá andam amigos e bloguers que não conheço pessoalmente mas que visito regularmente. É o caso do José Pimentel Teixeira do Ma-Schamba ( ali na coluna da direita ) que deu " início ao portal de blogs sobre Moçambique(Ma-Blog), residente no http://www.ma-blog.net/ ".Como informa o José Pimentel Teixeira o portal ainda está em fase de teste e penso que todas as sugestões serão bem vindas
Portal que agora divulgo e que ficará uns tempos ali na coluna da direita em Destaques, com a designação Blogues de Moçambique.
Os parabéns ao José Pimentel Teixeira.
03/03/08
A avaliação de professores e a curva de aprendizagem escolhida pela FENPROF
Como professores que são ( possivelmente não praticantes ) os sindicalistas da FENPROF e de outras associações sindicais devem saber que, em qualquer processo de aprendizagem, há um curva que relaciona o esforço com a compreensão da matéria dada. No caso do processo de avaliação de professores , os sindicatos escolheram esta :
e ao fim deste tempo todo ainda estão no ponto zero : " Nem sequer vou tentar." E as resistências são tantas que o esforço até chegarem à fase de compreensão vai ser enorme.
02/03/08
O Super-Dragão Fernando Madureira : um modelo para a juventude segundo a "Pública"
O chamado jornal de referência(??) "Público" dedica hoje na "Pública" capa e 10 páginas a Fernando Madureira, chefe da claque dos Super-Dragões. O texto é de Ana Cristina Pereira e as fotos de Adriano Miranda. Não estão on-line. Mas garanto-vos que o chefe é apresentado como um bom chefe de família com negócios prósperos, amigo do seu amigo, bla, bla. Um verdadeiro modelo a ser seguido pela nossa juventude. Palavras para quê Sr. José Manuel Fernandes ?É o PCP um partido de esquerda ?
É uma dúvida que me assalta quando o vejo defender ditaduras e quando em Portugal está entrincheirado em posições de resistência a toda e qualquer mudança só para manter posições em estruturas do aparelho de estado ( Autarquias, Ministério Público e Sindicatos da Função Pública ) e que defende a saída de Portugal da União Europeia.
Acordei em Cuba ?
Levanto-me. Um duche rápido. Um pequeno almoço de sandes de presunto e um copo de leite, seguido de café. Ligo o computador. Percorro vários jornais, blogues e sites quando dou com isto :
Estarei em Cuba ? Não. Afinal é o Jerónimo de Sousa a discursar, ontem, no Rossio em Lisboa. Fiquei mais descansado.
E para surpresa minha o Vitor Dias está de acordo (clicar)
01/03/08
Há vida para além da escola
Que as crianças e adolescentes continuarão a ir ao cinema e ao futebol. Continuarão a ouvir música nos seus i-pod e a jogar nas play station os seus jogos favoritos. Consultarão a wikipédia nos computadores. Continuarão a praticar o seu desporto favorito no clube ou colectividade do bairro. Trocarão mensagens com os seus amigos no messenger ou por sms. Continuarão a brincar ao Carnaval. A namorar. A celebrar o Natal com as sua famílias. Continuarão a ver os Morangos Selvagens * mesmo que os professores considerem que é lixo. Continuarão a fazer perguntas aos pais e aos avós. E quando forem adultos não se lembrarão do nome de nenhum professor.
Os sindicatos estão-se a fechar nos seus bunkers. Mas esquecem-se que as escolas não são bunkers. Esquecem-se que a escola é pública e como tal de todos os cidadãos que pagam os seus impostos e querem dar um futuro melhor aos seus filhos.
Foto minha de fogo de artifício na Ponte 25 de Abril ( Lx) a 26.05.2007
*Corrigido por Ortega na caixa de alucinações
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