30/01/10

" Marcello, where are you ? "


La Dolce Vita estreou-se há 50 anos (clicar)

Saudades de Federico Fellini e Marcello Mastroianni.

29/01/10

Agências de rating ou o 2 em 1

Parce-me que as agências de rating são médicos que têm um segundo negócio. O de casas funerárias.
Ganham sempre, quer o doente se cure quer o doente morra.

28/01/10

Há Livro de Reclamações na cantina do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público ?

Parece que abriu ontem o Ano Judicial.
Deve ser a maior concentração de ilustres juristas por m2 que se realiza anualmente. Dignamente acompanhados pelo Presidente da República e pelo 1º Ministro. Discursos são muitos. Do Bastonário da Ordem dos Advogados ao Presidente da República todo o bicho careta (sem ofensa ) fala. Ele é o Presidente do Supremo, ele é o Procurador Geral da República e ainda o Ministro da Justiça. Mandam recados uns aos outros.
O Procurador chora-se que precisa de mais meios. Francamente Sr. Procurador, já não há saco para esse peditório.
O Ministro, à saída e num belo vão de escada ( ou não estivessemos num palácio ) , fala em " mudar o paradigma legislativo em Portugal " . Francamente Dr. Alberto Martins, e qual é o actual ?
No fim, as televisões, ainda ouvem quem não falou. Um, o Sr. Presidente dos Magistrados do Ministério Público ( Dr. João Palma ) diz que não ouviu o Dr. Marinho Pinto. " Estava distraido na altura " (sic ). Ou teria passado pelas brasas ? Antes tivesse. O outro o Dr. Martins , presidente do Sindicato dos Senhores Doutores Juizes, diz que não está interessado em folclores, referindo-se ao Bastonário dos Advogados. Mas o programa televisivo do Pedro Homem de Mello não acabou ?
Ambos elogiam o discurso de Cavaco Silva. Será São Anibal o Santo Padroeiro destes Sindicatos ? Já faltou mais. Convém não ser tão tendencioso, Sr. Presidente. O da República.
O cidadão comum esse ficou de fora. Não foi convidado e ainda não há sindicatos de cidadãos. Ainda bem. Para corporações já bastam as que existem. Se me perguntassem o que retive de tal cerimónia diria, como cidadão comum, que os representantes da justiça ainda não perceberam que fora do Palácio há uns milhões de cidadão que são tratados abaixo de cão pela dita justiça. Cidadãos que lhes pagam os salários para que façam o seu trabalho a tempo e horas e não para falarem em justicês e em circuito fechado.
Os cidadãos, todos ( incluindo os juristas ), de vez em quando são promovidos. A utentes quando recorrem aos serviços públicos. A clientes quando comem num restaurante, dormem num hotel ou fazem uma compra numa loja de um centro comercial. Locais que os nossos juristas frequentam. E aí há Livros de Reclamações. E os utentes, clientes e juristas sabem pedi-los quando são mal servidos. Especialmente os juristas. Pudera...conhecem bem as leis e os privilégios do seu estatuto.
Onde posso pedir o Livro de Reclamações da justiça ? Nos tribunais ? Na Procuradoria Geral da República ? Nos escritórios dos advogados ? No Supremo ou no Constitucional ? Ou na cantina do sindicato dos Magistrados do Ministério Público ?

27/01/10

"Auschwitz Report" de Primo Levi e Leonardo de Benedetti

Primo Levi chegou a Auschwitz a 26 de Fevereiro de 1944. No mesmo comboio, que partira de Itália 4 dias antes com 650 judeus italianos , chegava De Benedetti. Tinham-se conhecido no Campo de Detenção de Fossoli, em Itália, onde estavam detidos desde de Dezembro de 1943.
Levi, licenciado em Química, era um jovem de 25 anos. De Benedetti, médico, tinha 46 anos.
A 27 de Janeiro de 1945, faz hoje 65 anos, o Exército Soviético chegava a Auschwitz, já abandonado pelos nazis e libertou os sobreviventes. Entre eles encontravam-se Primo Levi e Leonardo de Benedetti.
O Comando Russo solicitou aos dois um relatório sobre os campos de concentração em Katowice de ex-prisioneiros italianos, que foi submetido ao governo da então URSS.
A sua primeira publicação é feita numa revista médica de Turim, a Minerva Medica, em 24 de Novembro de 1946 com o título "Rapporto sull' organizzazione igienico-sanitaria del campo di concentramento per ebrei di Monowitz (Auschwitz -Alta Silesia )".
Poderá ser considerada a primeira obra de Primo Levi. Foi editada em inglês pela Verso, em 2006, com esta belissima capa :


Recomendo.
Levi e De Benedetti haveriam de regressar a Itália em Outubro de 1945. De comboio. Depois de uma linga viagem , entram em Itália pela fronteira de Brenner a mesma pela qual tinham passado 20 meses antes em direcção a Auschwitz. Esse momento é recordado por Primo Levi no seu livro "The Truce" :
" Late at night we crossed the Brenner, which we had passed in our exile twenty months before; our less tired companions celebrated with a cheerful uproar; Leonardo and I remained lost in a silence crowded with memories... how much had we lost, in those twenty months ? What should we find at home ? How much of ourselves had been eroded, extinguished ? Were we returning richer or poorer, stronger or emptier ? We did not know; but we knew that on the thresholds of our homes, for good or ill, a trial awaited us, and we anticipated it with fear. We felt in our veins the poison of Auschwitz, flowing together with our thin blood; where should we find the strength to begin our lives agaain ?... We felt the weight of centuries on our shoulders..."
Leonardo de Benedetti retomou a sua actividade de médico e morreu em 1983, aos 85 anos.
Primo Levi decide escrever e em 1946 publica " Se isto é um homem". Suicidou-se em Turim em 11 de Abril de 1987. Tinha 67 anos.
Saibamos honrá-los.

22/01/10

A Semana do Assobio ( conclusão) : Pinóquio e sua consciência ( o grilo )


Escrevo , no blogue, sem agenda. Sem temas pré definidos. Escrevo sobre tudo e nada. Dias há, que posto duas ou três vezes. Ao acaso. A partir de notícias. Com base em algo que ouvi na rádio ou que li num jornal. Sobre os meus escritores preferidos. Ou músicas. Sobre o "meu" Liverpool. Desde que o iniciei, vai para 4 anos, tenho escrito quase diáriamente. Um dificuldade. A inspiração, se é que existe, vai faltando. Esta semana o arranque estava difícil. A Galeota, no comentário ao post de domingo - 17 de Janeiro, deu-me o mote. Esta semana tenho-me entretido a divulgar canções com assobio. Algo mais masculino que feminino, pelo menos na minha infância/ juventude. E que nem sempre era muito estimulado pelos pais. Era uma actividade mais para o povo. Quando miúdo , em Luanda ( ou seja no início dos anos 60 ), ofereceram-me este vinil vermelho. Uma raridade e um deslumbramento para quem estava habituado ao clássico preto dos EP's e LP's. É a banda sonora, cantada por brasileiros, do filme "Pinóquio" da Walt Disney. Sobrevieveu estes anos todos e hoje está na posse da minha filha Ana para que a minha neta Madalena o ouça. Que o digitalizou e mo enviou por mail.
O tema, se clicarem no play da barra, é o "Asssobio" da consciência do Pinóquio, o grilo.
Assim termina a semana do assobio.
Bom fim de semana e assobiem.

18/01/10

Quando o assobio tinha algum valor : Winchester Cathedral

A pedido da comentadora residente deste blogue :

No tempo em que o assobio tinha algum valor...Galeota
17/01/10 17:30

14/01/10

13/01/10

Anónimos, pseudónimos , E.T.'s. e possidónios

Vai para aí uma guerra, na blogoesfera, sobre anónimos e pseudónimos que nem queiram saber.
Desde que a prima dona Pacheco Pereira abriu as hostilidades o vírus propagou-se.
Será Valupi um anónimo ? Ou um E.T. ( desculpa lá Valupi ) ? E Miguel Abrantes ? Por mim deve andar na tropa e nasceu em Abrantes. Já o João Magalhães deve ser primo do dito computador.
Ninguém ( ou quase ) fala do masson ou do ex-Zé da Grande Loja do Queijo Limiano.
Parece que a tese subjacente ( êpá esta é palavra de pelo menos 1000 euros ) é que é proibido anónimos, pseudónimos ou E.T.'s defenderem o Governo e José Sócrates. Se o defendem têm que mostrar o B.I., quem ataca pode ( tem , deve ) fazê-lo mantendo o anonimato.
Sobre pseudónimos e anónimos há quem já tenha escrito mais e melhor do que eu.
Este tema lembra-me algo que li, vai para uns anos, sobre escritores. Conta-se que, em Inglaterra, alguns escritores já com nome na praça ( se a memória não me falha pelo menos Salman Rushdie e V.S. Naipaul ) concorreram com pseudónimos a prémios de literatura. Os seus livros nem seleccionados foram para a 2ª fase.
Prefiro assim. Continuo a lê-los sabendo quem são e porque escrevem bem. Era lá capaz de ler um livro de um anónimo. De pseudónimos já tenho lido. É o que faço com o Valupi, Miguel Abrantes, João Magalhães e masson sem saber quem são. Ainda bem. Consta que Naipaul e Rushdie, pessoalmente, são uns trastes. Não gostaria que tão distintos bloggers me desiludissem e se revelassem uns possidónios.
Para possidónios já me basta os que me mostram o B.I.



Notas :
A. Possidónio : 1. que ou o que revela mau gosto, convencionalismo ("apego ao que é convencional"), pouca sofisticação ou pouco trato social. 2. que ou que é simplório, sem refinamento algum; piroso, provinciano. Em Portugal : político ingénuo e provinciano que preconiza, para a salvação da pátria, a redução profunda das despesas públicas. ( in Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa ).
B. Não linkei os bloggers mencionados por preguiça e porque já são famosos q.b.

11/01/10

10/01/10

José Pacheco Pereira foi ao psiquiatra

e temos que saber perdoá-lo. Afinal, um ornitorrinco é um mamífero como qualquer um de nós (quase) (clicar)

De carro. Vila Viçosa. Neve. Borba.





Depois de almoçar um Cozido de Grão na "Maria".
No Alandroal.
Começo a acreditar que o Paraíso existe.
Com dedicatória : à BB e ao MG.
Fotos de C.

09/01/10

Elogio do chamado trabalho sujo

Há tarefas difíceis. Em todas as actividades /profissões. Normalmente são aquelas que ninguém quer fazer. Adiamo-las na esperança que o tempo as resolva. Puro engano. Elas continuarão lá. Por resolver. Quando alguém decide "atacá-las" está frito. Passa a mau da fita. Muitos chamam-lhe trabalho sujo.
A anterior Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, fez muito pela escola pública. Mas para muitos será recordada como a ministra má que não cedeu aos sindicatos. Sindicatos que conseguiram o impensável, descer a Avenida da Liberdade sob os aplausos embevecidos de Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas e já não sei quem do PSD ( a culpa não é minha, é que estão sempre a mudar de chefe e já não me lembro quem o era à data). Mas tanta contestação não fez com que o P.S. perdesse as legislativas de 2009. Ganhou-as. 100.000 manifestantes é muita gente mas os eleitores são muito mais.
Agora a nova Ministra, Isabel Alçada, assinou um acordo com os principais sindicatos em apenas dois meses de governação. Alguns, nos quais me incluo, receiam que a Ministra tenha cedido em demasia. Pelo que diz a Sofia (clicar) "o acordo não foi um recuo assim tão grande". Acredito e vou esperar para ver.
Parabéns à Ministra e aos sindicatos.
Mas acima de tudo parabéns a Maria de Lurdes Rodrigues que persisitiu quatro anos, debaixo de fogo e de insultos, deixando o terreno preparado para quem viesse a seguir. Fez o chamado trabalho sujo. Confrontou os sindicatos, que estão instalados na 5 de Outubro desde sempre e que querem opinar sobre tudo e nada. Com propostas. Com rigor. Com tenacidade. Estes ao personalizarem a luta contra a mentirosa, a vaca, etc ( ainda se lembram dos insultos ? ) ficaram sem argumentos quando pela frente passaram a ter outra personalidade que também sabia ao que ia.
Agora todos ao trabalho que há muito a fazer nas escolas.

07/01/10

Ano Novo , Vida Nova

É um pretexto como outro qualquer.
A inspiração para postar não é muita. Ou será falta de paciência ? Também poderá ser porque há quem escreva muito melhor do que eu sobre temas de que gostaria de escrever. Adiante.
Lá para o fundo do blogue há uma secção chamada " Habituei-me a ler". Pretende listar os blogues que leio com regularidade. Estava desactualizado.
Eliminei alguns ou porque cessaram actividade ou porque estão sem actividade há meses. Se bem que neste último caso seja sempre um risco. No passado alguns "inactivos" regressaram á actividade ainda melhores.
Entretanto nasceram outros blogues. Alguns habituei-me a lê-los. Assim sendo resolvi actualizar a mencionada lista. Aqui vão eles, sem qualquer ordem :


A Regra do Jogo . Um blogue colectivo. Fui lá parar por causa do Eduardo Graça e do Luis Novaes Tito.
Albergue Espanhol. Mais um blogue colectivo, com o sempre activo Pedro Correia.
Arrastão. De 3 passaram a 7. E com reforços da qualidade do Bruno Sena Martins e do Rui Bebiano passa a obrigatório.
Córtex Frontal. Um duo. Medeiros Ferreira e Joana Amaral Dias.
Branco no Branco. "Encontrava" a sua autora ( MDSOL) em várias caixas de comentários onde eu também mando bocas. Fui ver o blogue. Gostei e fiquei cliente.
2 Dedos de Conversa. Directamente de Berlim. A não perder, nomeadamente a Helena Araújo. Que me perdoem os outros elementos. Mas a culpa não é minha se postam pouco.
Léxico Familiar. Do Pedro Adão e Silva. As crónicas dos jornais já conhecia. O blogue também as refere, mas fala de outras coisas. Nomeadamente música.
Pé de Moça. Temático e uma parceria luso-brasileira onde aparece o meu amigo Jorge Pinheiro.
Manuel Tito de Morais no ano do centenário do seu nascimento. A não perder.
Uma última nota sobre blogues colectivos.
São alguns e com qualidade. Quando os autores são muitos verifico , na maioria dos casos, um excesso de posts diários que podem levar a uma certa saturação do leitor.Além de uma proliferação de temas. A maioria das vezes acabo por "ter" os meus autores preferidos e acabo por não ler os outros. Alguns mantém blogues pessoais e fazem links dos seus posts entre blogues o que poderá aumentar a saturação.
No passado já verifiquei que os blogues pessoais acabam ou por desaparecer ou por irem morrendo sempre que o seu autor se junta a um blogue colectivo. Estou-me a lembrar do excelente Kontratempos, do Tiago Barbosa Ribeiro que o "matou" quando criou o colectivo O País Relativo que neste momento está meio moribundo e não temos o Kontratempos.

05/01/10

Ainda CAMUS

"Dans l'Ancien Testament Dieu ne dit rien, ce sont les vivants qui lui servent de vocable. C'est en cela que je n'ai cessé d'aimer ce qu'il avait de sacré en ce monde."
"La Bible est née parmi les pierres."
( páginas 202 e 213 dos Carnets III (mars 1951 - décembre 1959 ), Gallimard )