27/02/10

Luis Dourdil, profissão : pintor



Conheci Luis Dourdil (Coimbra , 1914 - Lisboa, 1989 ) depois de me casar. Era grande amigo dos meus sogros. Curiosamente só depois de casar soube que também conhecia o meu pai ( Coimbra 1915 - Lisboa, 1988 ), outro coimbrão seu contemporâneo. Foi num almoço em casa dos meus sogros. A conversa prolongou-se durante a tarde ou não fosse Dourdil um conversador nato. Foi toda a vida funcionário do Laboratório Sanitas. Pode-se pois dizer que não foi um pintor profissional. Pouco importa, porque foi um pintor de excepção com uma obra não muito vasta mas de grande qualidade. Gostava de pintar cenas do quotidiano . As suas últimas "séries", "3ª Idade" e os "Despojados", retratam a vida de uma grande cidade como poucos o fizeram. Em Maio de 1982 a minha mulher fez estes slides para um trabalho escolar no Magistério Primário de Lisboa. Publico-os hoje , digitalizados pela minha filha Ana. Uma homenagem a Luis Dourdil.

26/02/10

Cuba : liberdade para os presos políticos

Quatro presos políticos e um jornalista em greve da fome (clicar)

Denunciemos a morte de Orlando Zapata Tamayo.

Liberdade para os presos políticos cubanos.

Marvão : 1 de Janeiro de 1977 - directamente do baú das recordações

Ao ler este texto (clicar) do meu amigo Miguel, voltei a Marvão e ao baú das recordações. Do baú recuperei esta foto. O Miguel, o José Carlos Albino (clicar) e eu. Na ressaca de uma passagem de ano. A foto é de dia 1 de Janeiro de 1977.
Pois é Miguel e Zé, já lá vão 33 anos. Curiosamente todos abandonámos Lisboa. Eu fui o último. Estamos todos no Alentejo. E Messejana continua sem praia ( não leves a mal Zé Carlos ). Um abraço.

25/02/10

A serenidade de quem sofre e trabalha

Na Madeira é hora de dor. Mas também de rescaldo. Quem perdeu as suas casas ou as suas lojas trabalha para as recuperar. No meio de lama e destroços metem mãos à obra. Com calma. Com disciplina. São ajudados por profisisonais. Bombeiros. Exército. Marinha. Estes mostram o seu profissionalismo e a sua dedicação. Quando são entrevistados pela televisão são concisos e rigorosos. Não especulam. Vejo-os na televisão e esta é a sensação que transmitem. Mérito deles, já que os jornalistas ( a maioria ) estão sempre excitadíssimos. Mais interessados no número de litros de água que estavam nos parques de estacionamento ou com a aparente discrepância do número de mortos contabilizados. Repetem até à exaustão perguntas já respondidas.

A natureza quando se enfurece arrasta tudo. Menos os homens que lá vivem. Que já recomeçaram mais de uma vez as suas vidas. Muitos vão fazê-lo mais uma vez. Sejamos solidários com eles.


24/02/10

Silêncio criminoso.

Vai para dois anos que deixei de viver numa grande cidade. Lisboa. Vivo nas proximidades de uma pacata vila alentejana. Dos ruidos urbanos, sobra o dos camiões que circulam na E.N. que passa ao meu portão. Reaprendi a ouvir os pássaros, os grilos, os cães, as ovelhas e mesmo as rãs que ouvia nas minhas férias liceais quando ia para a quinta da minha avó materna, Odette, ali para os lados de Coimbra. Estou a aprender a apreciar o silêncio que interrompe, por vezes, o falar da natureza. Vou-me esquecendo do rosnar humano. Só o recebo através de ondas hertzianas e essas posso controlá-las. Basta carregar num botão.
Esta madrugada, não sei que horas seriam, acordei sobressaltado. O silêncio era total. Nem o falar de algum animal. Nem um camião. Nem mesmo o vento. Foi o silêncio total. Voltei a adormecer.
Ao acordar e depois do pequeno almoço consulto os jornais no computador. Leio que morreu o cubano Orlando Zapata Tamayo.Tinha 42 anos. Estava em greve da fome há 85 dias. Tinha sido condenado, em 2003, a 18 anos de prisão. Era considerado um "prisioneiro de consciência". Lutava pacíficamente contra o regime castrista. Morreu num hospital. Um dia triste.
E morre num dia em que o Presidente do Brasil, Lula da Silva, inicia uma visita a Cuba. O sempre palavroso e ruidoso Lula vai ficar silencioso. É mais fácil levantar a voz em democracia. Um silêncio criminoso.

22/02/10

Sucata...

foi por onde tudo começou. Tudo não. Apenas o já famoso caso judicial "Face Oculta". Foi há uns meses. No quente dos primeiros dias foram constituidos vários arguidos. Uns mais conhecidos. Outros menos. Nos mais conhecidos estavam Armando Vara e José Penedos. Armando Vara era indiciado, se a memória não me falha, por 14 crimes. O Juiz de Instrução apenas o leva a tribunal por 1 (um). De José Pendos já nem sei. Desvantagens de ser menos mediático. Em prisão preventiva está o Sr. Manuel Godinho, o sucateiro como lhe chama a imprensa. Pelo menos alguma. Mas estava prometido um espectáculo muito maior. Judicialmente não foi o que aconteceu. Já nem sei o nome dos outros arguidos. Nem eu nem a imprensa.
Mas felizmente que, em Portugal, existe jornalismo de investigação. Pena que não seja escrito por jornalistas mas por agentes do sistema judicário. Juízes ? PJ's ? Procuradores ? Advogados ? Quem sou eu para o dizer ?
Apenas verifico que esses "jornalistas" passaram a escrever em vários jornais. Uns diários , outros semanários. Sob pseudónimos. Tema tão na berra na blogoesfera. Uns assinam Felícia Cabrita outros não lhes fixei o nome. Devem estar em início de carreira. E escrevem sobre quem irá ser julgado ? Não. Escrevem sobre novos personagens, que a justiça não indiciou de nada. Escrevem é uma forma de dizer. Transcrevem , ou melhor copiam, partes de escutas telefónicas que estão em segredo de justiça. Curiosamente ( ou não ) a maioria dos novos personagens não são políticos mas quadros dirigentes de grandes empresas. Muitas cotadas em bolsa. Ou até ex-futebolistas.
Depois, nos noticiários televisivos, os pivots lêem as notícias publicadas nos ditos jornais. Assim também eu era pivot. Organizam-se debates. Nas TV's e nas rádios. Debates onde a maioria dos fazedores de opinião de serviço (sempre os mesmos ) não vão debater nada mas apenas travestirem-se de procuradores anónimos ( outra vez ? ).
Também se criam comissões parlamentares para dar tempo de antena ao Sr. Mário Crespo para promover as vendas do seu último livro. Quem comprar 2 ainda leva uma t-shirt como bónus. Mas este senhor vai lá, não por causa do "Face Oculta", mas porque alguém lhe disse que o 1º ministro falou mal dele num restaurante de um hotel lisboeta. Alguns deputados já dizem que mais vale acabar com a dita comissão.
É o que dá os processos judiciais serem publicados nos jornais em versão fotonovela.
Que a classe política não tem grande crédito na opinião pública já se sabia. E o mesmo se verifica para os agentes da justiça. Isto a acreditar nos estudos de opinião. Se bem que os políticos vão a votos de 4 em 4 anos. E nas urnas os cidadãos fazem a sua avaliação e escolhem quem querem para os representarem. Ainda vivemos em democracia. Felizmente.
Lamentável é os jornalistas não perceberem que o mesmo, a perca de crédito, se está a passar com eles.
Pena não haver jornalismo de investigação em Portugal. Sei que é caro. Mas só dignificava o jornalismo e contibuiria para melhorar a nossa democracia.
Assim, é tudo sucata.
E voltamos ao título do post.

21/02/10

Madeira. Um pouco de silêncio


Postal : Vista do Curral das Freiras.
Escrito pela minha avó Odette ao meu irmão Zé Luis em 13.09.1971.

19/02/10

Matiné musical : "Nowhere Man" dos Beatles



He's a real nowhere man,
Sitting in his Nowhere Land,
Making all his nowhere plans
for nobody.

Doesn't have a point of view,
Knows not where he's going to,
Isn't he a bit like you and me?

Nowhere Man please listen,
You don't know what you're missing,
Nowhere Man,the world is at your command!

(lead guitar)

He's as blind as he can be,
Just sees what he wants to see,
Nowhere Man can you see me at all?

Nowhere Man, don't worry,
Take your time, don't hurry,
Leave it all till somebody else
lends you a hand!

Doesn't have a point of view,
Knows not where he's going to,
Isn't he a bit like you and me?

Nowhere Man please listen,
you don't know what you're missing
Nowhere Man, the world is at your command!

He's a real Nowhere Man,
Sitting in his Nowhere Land,
Making all his nowhere plans
for nobody.
Making all his nowhere plans
for nobody.
Making all his nowhere plans
for nobody!

Dedicado a todos nós. Os Zés Ninguém. Bom fim de semana.

17/02/10

Comissão de Inquérito, Tupperware tea party ou televendas do Sr. Mário Crespo ?

Estive a ver o canal de TV da Assembleia da República. Desde as 17 horas até agora. Fiquei na dúvida se o que vi foi uma sessão de uma Comissão de Inquérito Parlamentar, um chá de vendas da Tupperware ou um programa de televendas do último livro do Sr. Mário Crespo que pelo meio tentou vender uma t-shirt de outra empresa ( Cão da Lua ?? )


Ao menos o Sr. José Manuel Fernandes não foi vender nada. Apenas confirmou que foi despedido pelo patrão, o Eng. Belmiro de Azevedo, cuja imagem de marca é não ser influenciável pelo poder político.

15/02/10

Recordar NAT KING COLE : Fascination



Nat King Cole morreu há 45 anos. Em Santa Mónica, California. De cancro de pulmão. Nat era um fumador de cigarros amentolados KOOL. Acreditava que lhe amaciavam a voz. Nasceu a 17 de Março de 1919 em Montgomery, Alabama. Foi o primeiro cantor negro a ter um show televisivo, o "Nat King Cole Show " na NBC-TV. O 1º programa foi para o ar a 5 de Novembro de 1956. Por falta de patrocínios de carácter nacional o programa foi um fracasso financeiro e terminou a 17 de Dezembro de 1957.

12/02/10

Eu não gostava de ser deselegante para com um Conselheiro de Estado....

mas como o Dr. António Capucho falou a título pessoal (clicar) lá tem de sair uma pergunta com bola vermelha



O Sr. Dr. acha que isto é forma de pedir boleia ?


As dificuldades do jornalismo de investigação em Portugal

É dificíl e até contraditório, dirão os meus leitores, falar de algo que não existe em Portugal. Estou a falar do jornalismo de investigação. Mas por um momento acreditemos que ele existe. Porque é que eu digo que ele vive momento dificeis ? Vou tentar explicar. É que deve ser tramado estar um gajo ( ou gaja ) sentado no quentinho de uma redacção e receber bocados de processos judiciais ainda em curso e depois ter que contar uma história que outros ( os que enviam os tais bocados ), por sua vez sentados também no quentinho de gabinetes de tribunais ou da PJ, queriam ou gostariam de contar. Ler coisas soltas e tentar contar uma história coerente é mais trabalho de ficcionista do que de jornalista.
A situação torna-se ainda mais complicada quando um dos personagens não está envolvido em nenhum processo judicial mas os jornalistas ( ou os outros ) querem dar a entender que está ou gostariam que estivesse. Vai daí escrevem peças jornalísticas que são um misto de relatórios de polícia , de acordãos de juizes e de redacções de alunos da escola primária. Às quais falta sempre qualquer coisa. Há que continuar a vender. E na semana seguinte voltam a contar a mesma história com as novidades de há duas semanas. E temos fotonovela para pelo menos uns anos.
E eu sem perceber se são os jornalistas que escrevem as ditas peças ou se são agentes da justiça que o fazem. Se a redacção se mudou para uma qualquer cave de um tribunal ou se o tribunal se mudou para a sede de um semanário.
E fico sempre com a sensação de que não havendo caso judicial se pretende com este tipo de jornalismo fazer justiça popular. Ou seja o persongem nem a tribunal vai mas é julgado na praça pública.
Muitos dirão : mas não há que exigir consequências políticas e esclarecimentos ao 1º Ministro ( nesta altura já perceberam que ele é o tal personagem ) ? E eu digo, claro. Mas para isso há o Parlamento. As Comissões de Inquérito Parlamentar. Porque se o debate é político que se faça nos locais adequados e não em tribunais populares. E se os partidos da oposição acham que José Sócrates não tem condições para governar é simples ( será ? ) : apresentem uma moção de censura em vez de pedirem ao P.S. para substituir o 1º Ministro como tão bem diz o
Tomás Vasques (clicar).
Ou em alternativa, digo eu, escolham para chefes dos respectivos partidos um jornalista. Candidatos não faltam. Que tal a Manuela Moura Guedes, ou o Mário Crespo ou ainda a Felícia Cabrita ?

11/02/10

Como matar uma discussão : fulanizar

Quando ouço as oposições , no Parlamento ou nas TV's, fico impressionado com o número de vezes que dizem que tudo é da responsabilidade ( eles dizem culpa ) do 1º ministro. Palpita-me que estivesse o P.S. na oposição o mesmo aconteceria. É a fulanização mais descabelada. Fulanização que ,no caso presente, tem como pano de fundo a diabolização de Sócrates, qual Diabo que desceu ( ou subiu ? ) dos Infernos para nos desviar do caminho da felicidade. Cheira-me que o Papa vem cá para pedir à Nossa Senhora de Fátima mais um milagre, já que a oposição é incompetente. Mas fiarmo-nos na Virgem nunca foi solução.
Mas não é sobre a actual situação que venho falar. Mas ela lembra-me tempos passados. Recentes. Como o do caso do Ministério da Saúde quando o ministro era Correia de Campos. Um dos melhores, se não o melhor , ministros da Saúde da democracia. Veio para reformar. Apresentou propostas. Lutou por elas. Foi aos debates todos. No Parlamento. Nos orgãos de comunicação social. Podiamos não estar de acordo com elas. É natural , estamos em democracia por muito que alguns idiotas digam o contrário. Mas , ao tempo, sabiamos o que se pretendia no sector da saúde. Muitas coisas foram concretizadas. Outras não sei. Mas havia vontade de reformar. Lembram-se como foi feito o ataque ao ministro ? Pois eu recordo. Na base de casos pontuais que foram explorados e divulgados pela comunicação social até à náusea. Com cobertura inclusivamente do Presidente da República. Com as insinuações rasteiras do B.E. sobre as eventuais ligações do ministro a interesses privados. Com os ataques sem pudor da Ordem dos Médicos e demais corporações. Foi um fartar vilanagem. O ministro demitiu-se. Vai para 3 anos. Foi substituido por Ana Jorge. No dia seguinte todos os problemas acabaram como que por magia. E durante estes 3 anos que sabemos nós do que tem sido feito no sector da saúde ? Nada. As oposições deixaram de falar no tema, a não ser episódicamente quando há rumores de qualquer reformazinha. Eu como utente posso confirmar que me parece que as coisas continuam a melhorar. Pelo que acredito que o Ministério não está parado. Mas curiosamente no espaço público não há discussão de nada. O Ministério não nos informa de uma forma regular. As oposições estão caladas. Os orgãos de comunicação social deixaram de organizar debates. Os partidos manifestações. O objectivo era abater o ministro. Conseguiram-no. Queriam lá saber do funcionamento do sector. Ficaram todos contentinhos e calaram-se. Idiotas.

O 3º Congresso do MES foi há 32 anos


11 de Fevereiro de 1978. Voz do Operário, em Lisboa. Comício de encerramento do 3º Congresso do Movimento de Esquerda Socialista. Fotos de negativos que estiveram no baú. Encheram-se de humidade. Um dia, há 3 ou 4 anos, mandei digitalizá-las. Deixei a humidade. Dá mais realismo. Não acham ?

10/02/10

Carlos Carvalhal a jogar bilhar



Ou o estado a que o Sporting chegou.

Inspirado no Filipe (clicar) que insiste em destruir um dos meus ídolos de juventude, o Louis de Funés, ao dizer que o Carlos Carvalhal é seu sósia.

09/02/10

Se eu bem percebo...

a mulher a dias do Sr. Mário Crespo pode enviar-me um e-mail a contar a conversa , ao almoço lá em casa, com o Dr. Pinto Balsemão e o que eles disseram sobre o Presidente Cavaco.
E eu posso fazer um artigo de opinião baseado nesse e-mail.
Porra !! ... é por isso que não tenho mulher a dias e quando contratar uma tem que ser surda-muda.

LISBOA : já foram Salas de Cinema




Quando iniciei o blogue, vai para 4 anos, tirei umas fotos a antigos cinemas de Lisboa. Onde vi muitos e bons filmes na minha adolescência e já adulto. Publiquei dois ou três posts com algumas delas. Mas agora, que descobri o slide-show, estou a passar por uma fase de deslumbramento juvenil com esta nova ferramenta quando me aproximo rápidamente da fase senil. Simplifica. Vão todas por atacado. Divirtam-se e vão ao cinema.