mas que não deixa de ter o seu significado.
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08/01/15
Paris; ainda o massacre de 7 de Janeiro de 2015
A condenação do massacre na sede do CHARLIE HEBDO é unânime.
Mas já há quem tente relativizar o facto de os assassinos serem islâmicos.
E a discussão sobre a bondade do islamismo volta à ordem do dia.
E a discussão centrar-se-á no domínio do religioso, que é o que querem os religiosos islâmicos que vêm a sua religião como um modelo e um projecto político que contrapõem aos modelos das sociedades democráticas ocidentais.
É um terreno em que perderemos sempre.
Quem o diz não sou eu, mas sim o poeta sírio Adonis nesta entrevista, que recomendo e que foi dada muito antes dos acontecimentos de ontem.
30/10/13
30/03/12
14/08/11
29/06/11
11/02/11
Soltas. A lingua árabe e o trotsquismo
Quando trabalhei na Arábia Saudita, já vai para 25 anos, verifiquei que a lingua árabe tem muitas nuances. Com era a língua oficial, todos os documentos que os consultores elaboravam, em inglês, tinham de ser traduzidos para árabe. Curiosamente a maioria feita por egipcíos. Curiosamente havia tantas versões quanto o número de egipcíos que faziam a tradução.
Nos meus tempos de militância política, já vai para mais de 25 anos, a piada clássica sobre os trotsquistas era : onde havia um trotsquista havia duas tendências. O tele-evangelista Francisco Louçã confirma-o.
09/02/11
Gerações rascas, parvas e as outras ou a história do juíz que dizia que a puta era uma mulher de vida fácil
Nunca gostei muito da expressão " a minha geração". Sei lá porquê. Se calhar até sei. Acho mais castiça e adequada a expressão " os da minha criação". Bem sei que não somos galináceos, mas assim sei quais foram os que comigo fizeram o mesmo percurso na infância e na adolescência. Para quem nasceu nos anos 50, como eu, os da minha criação eram geralmente os do meu estrato social, ou melhor do dos meus pais e restante família. É que ainda não havia cá isso de ensino para todos e obrigatório até ao 12º ano e muitos da "minha geração", que não da minha criação, tinham que ir trabalhar aos 10 anos, pois o que o pai trazia para casa não chegava para a família comer. Passemos adiante que isso são detalhes que não interessam para nada.
Depois da geração rasca chega agora a geração parva que até já tem um hino composto pelos Deolinda ( ou será pela ?). É a dos jovens, agora quase todos licenciados, que têm uma vida muito difícil. Se calhar gostariam de ter a vida fácil da puta que quando, em tribunal, o Sr. Dr. Juíz lhe disse : " A senhora de vida fácil que se levante", ela respondeu : " Ó Sr. Dr. Juíz acha que é vida fácil ter de fazer um bro**e à s 3 da manhã ? "
Sempre fomos um país de choramingas mas francamente, hoje em dia, estamos a abusar. Pena não ter sido jovem licenciado nos tempos que correm. Teria um hino e podia chorar nas televisões mesmo não indo ao "Big Brother" e não sendo fazedor de opinião encartado.
No meu tempo de jovem licenciado ( engenheiro ), em finais dos anos 70 do século XX, o meu primeiro salário foi de 70 ( setenta ) euros mensais. Bem sei que tinha dia de férias no meu aniversário e transportes rodoviários de borla já que trabalhava na R.N. Só regalias. E já havia duas crianças lá por casa. E ia para o escritório de autocarro, mas como era da Carris...pagava. Toma que é para aprenderes que nem tudo é de graça. Carro próprio ??? Isso foi um luxo alcançado 2 anos mais tarde. Um 2 Cavalos, meio podre, comprado a um amigo por 20 contos (100 €).
Para melhorar o salário passei a ter que me levantar à 6 da manhã e chegar a casa às 7 da tarde ou mesmo às 8. Vantagens de trabalhar em estaleiros navais na cintura industrial de Setúbal e de se demorar, na camioneta da empresa, uma hora à ida e mais uma hora e meia (pelo menos) à volta, dependente dos engarrafamentos na A2 , que então chegava só até ao Fogueteiro, e nos acessos a Alcântara. E antes que me esqueça, no dia que entrei, a empresa foi declarada em situação económica difícil. Resultado : salários em atraso logo à cabeça. Bela estreia, disse para os meus botões e comecei logo a procurar outro emprego. E já estávamos em 1981. Mal via as filhas. Quando saía de casa ainda dormiam, quando chegava já estavam a deitar-se.
Ainda melhorei o salário outra vez, mas continuando na ferrugem ou seja em fábricas com operários dos verdadeiros, de fato de macaco e a cheirarem a suor. Agora no Barreiro ( mais uma cintura industrial ), numa Central Térmica da EDP, mas as horas de alvorada e de chegar a casa melhoraram só cerca de meia hora. E tinha também a electricidade mais barata. Nunca consegui perceber porquê mas até deu para modernizar os electrodomésticos lá de casa e comprar um fogão fifty-fifty, ou seja metade dos bicos eram a gás e a outra metade a electricidade. Entretanto a prole aumentou. Mais uma menina. Total : 3 meninas. Lá haveria de me desenrascar, mais a minha Maria , abre parêntese : que não era licenciada mas trabalhava (!!) e até fez o curso do Magistério Primário já casada e com duas filhas , ainda foi professora primária, depois deixou-se disso mas burra continou a trabalhar fecha parêntese , para as alimentar e educar.
Depois emigrei. Desta vez o salto no salário foi significativo e lembro-me de, na entrevista de selecção, o francês que me entrevistou ( a empresa era francesa ) me perguntar : " Mas António, tão novo e com 3 filhas porquê querer ir trabalhar para fora ?" Ao que respondi . " Hoje mal as vejo assim continuo sem as ver mas ao menos vou ganhar algum para que as possa ajudar." Acho que foi por causa disso que me contratou. Estavamos em 1984. Fui para a Arábia Saudita. Durante 2 anos vinha a casa de 3 em 3 meses para estadias de 2 semanas. Não enrequeci e não chorei. Mas consegui o que pretendia para mim , para a minha Maria e mais importante para as minhas filhas.
Bem, a história já vai longa e os leitores que aguentaram até ao parágrafo anterior não devem estar muito interessados que eu continue a contar a minha vida até aos dias de hoje. Fazem bem. Para abreviar informo-os que voltei da Arábia Saudita com 33 anos e depois ainda andei por fora ( 4 anos, em que só vinha a casa aos fins de semana) , voltei a regressar, bla, bla , ainda voltei a ter salários em atraso ( foi em 1987 e até era chefe de estaleiro de montagem de uma caldeira, grande título e o 1º ministro não era o actual ) , bla, bla . Deixei de exercer engenharia, se é que alguma vez a exerci, e vai para 12 anos que tenho uma nano-micro empresa.
Continuo a não chorar e para aqueles que estarão preocupados com o que aconteceu às minhas filhas direi que estão umas moçoilas sadias e independentes ( de 36, 31 e 27 anos) mas vivem todas em pecado ou seja amancebadas apesar de licenciadas. Antes isso do que parvas ou rascas. Com mais ou menos recibo verde com mais ou menos precaridade, mas também não choram. Saiem ao pai.
E last but not least já me "deram" duas netas. Mas que grande gineceu. Pois é.
Pois é, é apenas uma história ou parte dela. Outros da minha criação terão as suas. Diferentes ou iguais mas quase todas sem facilidades.
Só os rascas e parvos é que podem pensar que a vida é fácil ou então os juízes que julgam as putas.
Boa noite e durmam bem.
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07/02/11
O amigo tunisino. Notícias de Tunis
Conheci-o em 1984, quando fazíamos parte da mesma equipa de consultores no Porto de Gizan, Arábia Saudita. Eu na área de manutenção, ele na área de informática. Como ele diz num mail que ontem me enviou :
" au fait on était "les jeunes" du groupe et celà crée des affinités indestructibles surtout vis à vis des "cons" et il en avait!! "
Eramos, somos, da mesma criação.
Regressei a Portugal em 1986. Ele ainda lá ficou mais uns meses. Fui sabendo dele por outro dos "jeunes", este francês, o Gildas, que já me visitou duas vezes em Lisboa e com o qual ás vezes troco correspondência. Com o Ahmed, assim se chama o meu amigo tunisino, é que nunca mais tinha contactado.
Sabia que tinha deixado Paris e voltado à Tunísia vai para uns 10 ou 12 anos.
Lembrei-me dele quando começou a chamada Revolução do Jasmim. Não sabia como contactá-lo quando, de repente, me lembrei que o Gildas tinha enviado um mail, pelo fim do ano, onde constava o e-mail do Ahmed.
Este fim de semana resolvi contactá-lo. Tem 3 filhas de um primeiro casamento. Também já é avô de uma menina de 3 meses. Recasou, com uma jovem tunisina e foi novamente pai, agora de um rapaz. Não tens juízo, Ahmed.
Quanto à actual situação na Tunísia, diz-me ele :
" Aussi les moments que je vis actuellement à tunis m'obligent à penser au portugal des 70's, une dictature qui tombe et un espoir qui nait on l'a appelé Jasmin par rapport aux oeuillets de chez toi quoi que je n'y adhère pas car chez nous on sait que le jasmin avec le temps pourrit et pue!!!
inchallah pas de celà
encore une fois merci pour ton mail et très bientôt "
"Je suis rentré en Tunisie où j'ai été associé dans une société de transport de marchandise mais je n'ai pas tenu ni supporté le milieu pourri des affaires en tunisie corruption catastrophique ( des flics au juges.. partout). Depuis 10 ans j'ai réintegré l'université où j'enseigne les mathématiques.
Pour la révolution tu doit imaginer c'est encore fragile, très fragile. l'ancien régime a tout pourri et corrompu et les dignitaires de ce régime n'ont pas encore lâché prise et tous les jours on découvre des complots et des manoeuvres pour semer le trouble.... question que le peuple regrette le départ de BenAli.
Déjà on lutte maintenant pour que le parti-état qui orchestrait la dictacture soit dissolu, aujourd'hui ils l'ont suspendu et on ne sait pas quel avenir nous attends. Les patrons se sentent un peu écartés et "coupable" d'avoir trop soutenu l'ancien régime alors ç grave car les investissement c important pour la relance de l'économie
malgré tout c'est fantastique la LIBERTE
a+ "
Até breve Ahmed, talvez em Paris.
30/03/10
As finais radiofónicas do Benfica e do Liverpool
A primeira final europeia do Benfica foi em 1961. Tinha eu 7 anos, quase 8. Vivia em Luanda. Ouvi a final pela rádio. Ainda não havia TV em Angola. Com a vitória do Benfica seguiu-se a festa nas ruas de Luanda. No dia seguinte líamos, eu e os meus irmãos, os jornais e víamos as fotografias a preto e branco. Mais tarde, com sorte, poderíamos ver resumos no cinema , nas "Actualidades Francesas".
O mesmo aconteceu em 1962 e 1963. Só regressei a Lisboa em 1964. Hoje praticamente não ouço relatos radiofónicos, por isso recordo-me do fascínio que era estar sentado à frente de uma telefonia a ouvir os relatos e a tentar imaginar as jogadas.
Diz-me o meu irmão Pedro, que trabalha em Angola, que hoje a popularidade do Benfica se mantém . Em dia de jogo na televisão...Luanda pára.
Só voltei a ouvir uma final pela rádio em 1985. Foi a do Liverpool - Juventus, em Bruxelas. Na altura vivia em Gizan, Arábia Saudita, e os canais de TV a que tinha acesso não transmitiram a final. Ouvi o relato na B.B.C., na companhia de um evertoniano. O Phill Hamilton que , como é óbvio desejava a derrota do Liverpool. O que aconteceu. Infelizmente e devido à tragédia de Heysel os clubes ingleses foram suspenso das competições europeias por 5 anos. Decisão que impediu o Everton, que foi campeão inglês nessa época, de participar na Taça do Campeões Europeus 1985 / 86. Para grande tristeza do Phill.
06/02/10
Desde 1894 : o derby de Merseyside
Liverpool FC vs. Everton FC
O mais antigo derby do mundo joga-se hoje às 12 h 45m en Anfield Road (clicar)
O mais antigo derby do mundo joga-se hoje às 12 h 45m en Anfield Road (clicar)
Jogo que me faz regressar ao passado e recordar o meu amigo Phil Hamilton, um evertoniano que conheci em Gizan, quando aí trabalhei de 1984 a 1986. Faleceu a 14 de Setembro de 1999 em Liverpool.
Estavamos os dois em Gizan aquando da trágica final da Taça dos Campeões Europeus entre o Liverpool e a Juventus, no Estádio de Heysel. Foi no dia 29 de Maio de 1985. Ouvimos o relato pela rádio. Na BBC. Outros tempos. Nesse ano o Everton foi campeão inglês, o que já não acontecia desde 1970. Quando a UEFA decidiu suspender os clubes ingleses, por 5 anos, das competições europeias na sequência da tragédia de Heysel só me lembro da fúria do Phil por não ver o seu Everton disputar a Taça dos Campeões. O Everton voltou a ser campeão na época 1986/87 e mais uma vez não participou para grande tristeza do Phil.
28/02/09
Pessegueiro. 5 dias depois

" For us democracy is a question of human dignity.
And human dignity is political freedom"
Em memória de Olaf Palme.
Assassinado há 23 anos.
23/01/09
16/01/09
Amizades peregrinas
Era tão amigo do Hamas que viajou de Lisboa até Gaza. Queria ser um mártir suicida e fazer-se explodir num autocarro em Telaviv. Não o aceitaram porque era um incréu. Regressou a Lisboa. Converteu-se ao Islamismo. Casou com 4 mulheres e foi muito feliz. Um dia resolveu fazer a peregrinação a Meca e fez-se explodir no meio da multidão. Consta que não foi aceite no Paraíso.
11/05/08
Nómada ou sedentário ?
Nasci em Lisboa. Com 3 meses fui para Luanda, onde vivi até aos 11 anos. Depois S. Pedro do Estoril e mais tarde Lisboa, por ter entrado para o I.S.T. , onde habitei até anteontem. Profissionalmente, já com o curso concluido, andei por Lisboa, Setúbal, Barreiro, Gizan, Viana do Castelo, Cacia e novamente Setúbal. Depois foram 4 anos um pouco por toda a Espanha, mas também Dublin, E.U.A., Itália, Inglaterra, Helsinquia, Budapeste, Carcóvia, Amesterdão, Bruxelas. Voltei a trabalhar em Portugal mas devido às tarefas que tinha voltei a Espanha ,visitei pela primeira vez Atenas, Salónica, Telavive, Jerusalém e percorri um bom bocado de França, isto durante sete anos. Nos últimos 10 anos trabalho, só em Portugal. Este fim de semana dexei Lisboa. Vim viver para o Alentejo. Para aqui :
Mas continuo a sentir-me um nómada.
28/02/08
Olaf Palme foi assassinado a 28.02.1986
" Human beings will find a balanced situation when they do good things not because God says it, but because they feel like doing them."Roubado à Shyznogud (clicar)
25/02/08
O que não se aprende na escola ( I ) : Avaliação
Em certo período da minha vida profissional trabalhei, como consultor de redução de custos, numa empresa de origem norte-americana que operava na Europa. Antes já tinha trabalhado em 5 empresas, uma das quais francesa e fora de Portugal. Logo no processo de selecção apercebi-me de uma realidade distinta na forma como a empresa lidava com os empregados. Tratavam-nos como adultos. Assim depois de nos explicarem, nas entrevistas de selecção, o que faziam e o que pretendiam de nós entregavam-nos os manuais com as regras da empresa, as perspectivas de carreira com o respectivo procedimento de avaliação e ainda o código de conduta. Diziam-nos para os lermos com atenção e caso os aceitassemos assinaríamos o contrato. Na certeza porém que uma vez assinado sabíamos ao que íamos. Assim fiz. Trabalhei como consultor 4 anos, nos mais variados países europeus.Foi a primeira ( e única ) vez que trabalhei numa empresa que tinha um processo de avaliação dos funcionários. Como calculam a resistência e dificuldade da maioria dos consultores ( que não só os portuguese, mas também os restantes europeus que trabalhavam nas equipas de análise ou de projecto ) era muita. A avaliação exigia tempo, fosse no preenchimento de papéis ( as fichas de avaliação e plano de formação do avaliado ) fosse no trabalho de campo que os avaliadores ( que exerciam tarefas de chefia ) tinham de fazer. E para quem trabalhava deslocado nas instalações dos clientes e vivia em hotéis, podem calcular que não era o que mais me apetecia fazer ( como avaliador quando fui Director de Projecto ou Coordenador dos mesmos ) no fim do dia. Mas era um S.O.P. ( Standard Operating Procedure )...como tal tinhamos que o fazer. Ponto. Ao fim de algum tempo, além de rotinados apercebíamo-nos que havia dois benefícios : um na carreira ( ou seja euros, que ainda não existiam na altura ) outro por ficarmos a conhecer os pontos fracos e fortes de cada um dos avaliados e assim quando necessitava de alguém com determinadas características num projecto era mais fácil escolher o consultor que mais se adequava ao que eu, como Director de Projecto, necessitava.
Hoje, passados que vão 17 anos desde que saí da empresa, ainda tenho cá em casa os manuais, que continuam a ser de grande utilidade e recordo com prazer os quatro anos em que trabalhei como consultor.
O que aprendi com essa experiência é que sem definição de expectativas quer para o empregador quer para o empregado e sem um processo de avaliação , a motivação é menor e a sensação de injustiça , arbitrariedade e inutilidade também.
À época, a única experiência de avaliação por que tinha passado era a escolar ( no percuso tradicional : primária, liceu, universidade ) com as limitações conhecidas ( percepcionda pelos avaliados como um processo de punição/ recompensa ) e a sua ausência nas 5 empresa pelas quais tinha passado. Por isso o que mais surpreendeu foi a forma como a avaliação era encarada pela empresa de consultoria : um processo para identificar os nossos pontos fortes ( para os reforçar ) e os nosso pontos fracos ( para os corrigir ). Como tal, após a avaliação e respectiva classificação era dever do avaliado melhorar os pontos fracos e um direito exigir às suas chefias o treino adequado.
Por isso não me espanta a resistência que muitos professores estão a colocar ao respectivo processo de avaliação. Já me espanta quererem adiá-lo, numa tentativa óbvia por parte dos sindicatos de imporem outra agenda e esta passar para as calendas. Mais me espanta é "queixarem-se" de que exige muito trabalho, o que não deixa de ser estranho quando alguns dizem que já havia um processo antes...pelos vistos dava era pouco trabalho, ou seja não existia.
Foto de C. : Pousada de Estremoz
13/02/08
Uma viagem à conta do Khat e instruções de utilização
Soube, por esta notícia (clicar), que o khat começa a chegar à Europa...ou pelo menos alguém anda a tentar. Desta vez a polícia espanhola não deixou. Tratando-se de um produto novo no mercado convém saber utilizá-lo. Se olharem para este senhor :
notarão que a bochecha esquerda está um pouco disforme. Então não havia de estar?! É que para consumir khat convém usar folhas o mais frescas possível , enrolá-las e colocá-las na boca alojando-as numa das bochechas e ir chupando ( não mastigar ). A técnica apurada dos iemenitas permite-lhes estar com um grande à vontade em público.
Mesmo sem estar a consumir khat esta notícia do El País fez-me viajar até Gizan (clicar) , onde estive quase dois anos, já lá vão 24 . Fiz parte da equipa de consultores que ajudou a gestão saudita a arrancar com o novo porto que foi inaugurado em 1985. Já contei, em anteriores textos, algumas histórias.
Hoje lembro-me de rostos como o da foto para os quais eu, mais o Gildas e o Hammed olhavamos com curiosidade já que sabíamos que estavam a consumir khat . O seu consumo era proibido. Os sauditas consumiam-na no recato das suas casas longe de olhares curiosos ou policiais. Os iemenitas não tinham esse pudor. Os outros ( europeus, asiáticos, sul americanos...havia lá de tudo ), infracção por infracção, prefiriam o álcool clandestino e de martelo mesmo que isso levasse à expatriação. O Sidik, parecido com o gin e que é a palavra árabe para amigo, era o mais apreciado. Com água tónica nem se notava a diferença. Mas todos os cuidados eram poucos. Uma 6ª feira ( o domingo naquelas paragens ) resolvemos tentar visitar o Iemen do Norte. Pegámos num dos jeeps e arriscámos, sabendo que sem visto no passaporte ( que era o nosso caso ) era quase impossivel lá entrar. O que efectivamente se confirmou. Na fronteira apesar de termos mostrado os nossos Inkama ( o BI saudita para expatriados ) e das diligências do Hammed que, como tunisino falava árabe, lá tentou dar a volta aos guardas fronteiriços. Nada conseguimos. Estando por ali aproveitámos para dar uma volta pelas montanhas do lado saudita onde também há cultivo de khat. Lá recolhemos umas folhas que trouxemos escondidas até ao compound. Ainda deram para uns dias. Sem a técnica apurada dos iemenitas fomos discretos no seu consumo. Como nunca mais voltámos às montanhas fronteiriças por aqui ficámos já que a sua compra, no mercado negro, era cara e os riscos de sermos apanhados altos.
Foto daqui
12/08/07
Agosto em Lisboa, XII
Há 23 anos o dia 12 de Agosto também foi um domingo. Os que me conhecem têm a mania de dizer que eu tenho boa memória. Já lhes disse que não é verdade. Ou antes é meia verdade. Terei alguma capacidade ( ou memória ? ) de não me esquecer de datas, pessoas e locais quando eles estão associados a algo de pessoal. Foi o caso do 12 de Agosto de 1984. Era um domingo. Decorriam os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Apanhei um avião para Madrid, onde ia tratar do meu visto para partir para Gizan, Arábia Saudita. Gosto dos Jogos Olímpicos e nessa altura Carlos Lopes era um maratonista vencedor. Quando cheguei a Madrid não vi na televisão a maratona que era corrida já noite dentro e eu precisava de acordar cedo para , no dia seguinte, ir à embaixada da Arábia Saudita tratar do visto de entrada.
Na 2ª feira, dia 13, apanhei um taxi. O motorista perguntou-me se eu era português ( maldito sotaque ). Disse-lhe que sim. Deu-me os parabéns. Perguntei-lhe porquê. "Pela vitória do Carlos Lopes na maratona de Los Angeles", disse-me ele. Foi assim que soube dessa vitória inesquecivel do atletismo português.
Eu iniciava nesse dia uma maratona de 4 dias para conseguir o visto, com umas peripécias à mistura que um dia possivelmente contarei e que definitivamente enterrarão as minhas possibilidades de me dedicar à vida política. Acabei por conseguir o visto e embarquei para Gizan dia 16. Mas isso é outra história.
E por falar em coincidências. Este ano o 11 de Setembro também é uma 3ª feira, como em 2001. E como há 6 anos estarei no mesmo local. Paris. Esperemos que as coincidências fiquem por aí.
P.S. : post dedicado ao meu amigo Carlos Maria que está por terras do Oriente e que se refere à vitória do Carlos Lopes num dos comentários do texto anterior.
19/06/07
Gizan no Google Earth
De regresso a Gizan. Já lá não "ia" desde 11 de Outubro de 2006. Mas o Google Earth permitiu-me voltar ao "compound" onde vivi quase dois anos entre 1984 e 1986 :
16º 52' 40.32" N. 42º 32' 45.68" E. Altitude 20 pés. No pico do calor : temperaturas a baterem os 50º centigrados e a humidade a chegar aos 95 %. O parque de automóveis à entrada junto ao bloco social. A piscina. O court de ténis ao centro. As vivendas para as chefias na linha da frente, com vista para o Mar Vermelho. Os outros blocos agrupavam 4 quartos individuais.
O fascínio de ter conhecido e trabalhado com pessoas dos cinco continentes e de 60 nacionalidades. O que lá aprendi foi muito.
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