28/08/14

O advogado e o comentador

A capacidade criativa do nosso jornalismo, neste caso o económico, não deixa de me surpreender.
Hoje é o "Diário Económico".
É preciso alguma lata. Este senhor que anda na política desde pequenino e já foi tudo e mais alguma coisa no PSD e seus governos é agora o "his master voice", de alguém que dentro do actual governo (?) lhe bufa o que é conveniente para os partidos no poder.
Chamar a isto comentário político é insultar a inteligência dos leitores.
Na mesma edição temos a entrevista com o advogado do regime, o Dr. Proença de Carvalho. Ao que consta este senhor advogado não está no activo político e apenas se dedica à advocacia. Mas a entrevista serve para passar as mensagens do costume que nos tempos que correm são:
"O colapso do BES foi uma surpresa." . Então imagine, Sr. Doutor, o que terá sido para a maioria dos clientes.
"Justiça é um dos grandes falhanços da nossa democracia.". Neste caso até estou de acordo com o Sr. Doutor mas eu nunca fui político ou ministro, nem faço parte do sistema como o senhor.
Ou seja, temos o reforço do discurso dominante através de duas personalidades que nos são "vendidas" como não políticos, pelo menos no activo.
Jornalismo económico ou pornográfico?

27/08/14

O meu nome é Jaime e sou: bombeiro, ex-autarca e irresponsável

O Sr. Jaime Marta Soares foi presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares de 1975 a 2013, ou seja durante 38 anos.
Hoje a Câmara terá uma dívida de 20 milhões de euros.
E o que diz o Sr. Jaime Marta Soares?
E consta que o disse sem se rir.
Além da sua actividade de autarca, este senhor esteve também sempre ligado aos bombeiros e é presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, onde tem o título de Comandante.
O fornecimento de equipamento aos bombeiros, ao longo de anos e anos, sempre me "cheirou" a negociatas das grandes. Mas o meu olfacto não é para aqui chamado.
Pena é em Portugal não haver jornalismo de investigação. Consta que sai caro.
Pois.

26/08/14

E se em vez do banho de água gelada

as personalidades que já são famosas (e com dinheiro) e os idiotas, que não são famosos (e possivelmente não têm cheta), começassem a passar cheques?
Não era essa a ideia da campanha?
Bem sei que será difícil chegar a milhões de euros, mas só 25.000 € para a APELA, parece-me ridículo.

25/08/14

Mentira

"Eu não chegaria ao ponto de andar à pancada por causa do Kurtz, mas andei perto de mentir. Sabem como eu odeio  a mentira, não porque seja mais honesto que os demais, mas apenas porque me apavora. Há um toque de morte, um sabor a mortalidade na mentira, que é precisamente o que eu odeio e detesto no mundo - o que eu quero esquecer. Põe-me infeliz e doente, como se tivesse comido alguma coisa podre."
(Joseph Conrad, pág 43 de "O Coração das Trevas", Colecção Mil Folhas, tradução de Teresa Amaro)

13/08/14

Lauren Bacall (1924-2014)

Foto de 2009.
Mais fotos aqui.
Já não se "fabricam" actrizes deste calibre.

12/08/14

Caro Luís Durão Barroso,

Não o conheço de lado nenhum.
Acredito que seja uma excelente pessoa e um óptimo académico.
Acredito que  isto não foi pedido por si.
Acredito que conhece a situação difícil que o país vive, não só do ponto de vista económico e social como também do ponto de vista de valores.
Por tudo isso espero que não aceite este lugar.
Melhores cumprimentos,
António Pais

08/08/14

Indiferentes, mas não burros

Estamos a caminho de um país de indiferentes.
Depois de a maioria dos cidadãos ter sido espoliada nos últimos 3 anos, eis que parece que o sistema bancário e financeiro esteve à beira do colapso no último fim de semana (Carlos Costa dixit em sede parlamentar), cool disse a maioria, que está a banhos, 1º ministro incluído.
Corridas aos bancos, não! Porque haveríamos de correr se não temos lá dinheiro?
À noite, na SIC, o presidente do Novo Banco (vulgo BES Bom), Dr. Vítor Bento, veio dizer-nos : "Êpá, nem sabem no buraco em que me meti!". 
Não está mau para quem devia transmitir confiança, pelo menos aos clientes do banco.
Confiança é algo que rareia hoje em dia.
Mas desenganem-se aqueles que pensam que os cidadãos são burros.
Podem ser indiferentes, mas burros não são.
Sempre fomos uns desenrascados.