24/04/15

"Sete balas só na mão, Já começa a amanhecer..."


Sete balas só na mão
Já começa a amanhecer.

Sete flores de limão
Para lutar até vencer.

Sete flores de limão
Para lutar até morrer.

Já estremece a tirania
Já o sol amanheceu.

Mil olhos tem o dragão
Há chamas de oiro no céu.

Abre no peito o luar
Companheiros acercai-vos.

Arde em nós a luz do dia
Companheiros revezai-vos.

Já o rouxinol cantou
Tomai o nosso estandarte.

No seu sangue misturado
Já não há desigualdade.

Sete balas só na mão
Já começa a amanhecer.

Sete flores de limão
Para lutar até vencer.

De Adriano Correia de Oliveira

23/04/15

Obrigatório ver/ouvir (e divulgar)


Intervenção do deputado José António Vieira da Silva, hoje, no Parlamento.
Parabéns e um abraço Zé António.

22/04/15

"Dão-nos um lírio e um canivete..."


Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

de Natália Correia

21/04/15

ITSI BITSI PETIT BIKINI


Quem ainda se lembrará de Richard Anthony?
Morreu ontem, dia 20, aos 77 anos.
Foi, com Johnny Hallyday e Eddy Mitchel, um dos "pais" do rock, ou melhor, do yé-yé francês nos anos 60 do século XX.
Muitas e muitos vieram depois dele: Sylvie Vartan, Françoise Hardy, Claude François, Antoine, Mireille Mathieu, Adamo, Michel Polnareff, etc.
Música e cantores que eram divulgados  na revista "Salut les Copains"
que tinha em Portugal bastante divulgação. De recordar que, à época, os jovens liceais (como eu) começavam a aprender francês logo no 1º ano do liceu que seguia até ao 5º, enquanto o inglês só começava no 3º e acabava no 5º. Outros tempos.

17/04/15

Mariano Gago, o "meu" primeiro presidente na AEIST

Quando entrei no IST, em 1970, era Mariano Gago o presidente da AEIST (Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico). Vivíamos um momento de afirmação do movimento estudantil e associativo. Lembro-me, como se fosse hoje, de uma intervenção sua numa RGA na cantina da AEIST. Com o seu ar desajeitado e de "caixa de óculos" (não muito diferente do que tinha agora, tirem-lhe 45 anos) cativava de imediato pela lucidez dos argumentos.
Curiosamente um dos seus "opositores" era António Guterres, que também interveio na reunião. 
Mariano Gago foi uma das personalidades que me levou a acreditar que tínhamos de lutar contra o regime de ditadura que vivíamos nesses tempos.
Como diz Rui Cardoso morreu, aos 66 anos, "uma referência de uma geração".

16/04/15

Proibir - Obrigar - Penalizar

Hoje, ao percorrer os jornais on line, fiquei com a ideia que estes são os únicos verbos que o governo(?) conhece.
Ele proíbe o álcool e o tabaco.
Ele obriga os postos de gasolina a venderem todos os tipos de combustível.
Ele penaliza quem não transferir os contratos de gás/electricidade.
São os "nossos" liberais de pacotilha!