A capa do jornal "i" de ontem, dia 29 de Dezembro, era esta:
A "notícia" sobre a não visita de António Costa a José Sócrates continuava nas páginas 2 e 3, numa secção pomposamente intitulada "INVESTIGAÇÂO i"
E Ana Sá Lopes entrou logo com certezas: "Apesar de ter passado o Natal em Montemor-o-Novo, no Alentejo, a 30 quilómetros de Évora, António Costa não aproveitou a proximidade geográfica para fazer a sua primeira visita a José Sócrates..."
Mas eis que hoje, já não na 1ª página do jornal, mas em pequena nota de rodapé na página 4, a mesma jornalista rectifica:
e diz "Ao contrário do que o i noticiou na edição de ontem, o líder do PS António Costa não passou o Natal a 30 quilómetros de Évora,...."
O que na véspera resultava de uma investigação onde eu já imaginava Ana Sá Lopes de óculos escuros e peruca loura, qual Mata Hari do século XXI, numa ruela de Montemor-o-Novo a confirmar que António Costa tinha entrado numa qualquer habitação para passar o Natal, passou hoje para uma notícia.
Pelo menos Ana Sá Lopes não se mascarou de Mata Hari, mas se era uma notícia não poderia a nossa candidata a Mata Hari ter telefonado ao visado para confirmar se tinha passado o Natal em Montemor-o-Novo, afinal tinham-se passado 4 dias sobre a data.
Poderei assim ser levado a concluir que Ana Sá Lopes nem investigou nem noticiou, apenas mentiu e com a agravante que na sua rectificação de hoje não refere o que terá levado à mesma, ou seja uma carta de um tio de António Costa que circula desde ontem na blogoesfera e no Facebook e que transcrevo:
.ANTÓNIO COSTA E O NATAL
Com autorização expressa do autor, tio de António Costa e meu amigo de longa data, divulgo esta magnífica carta, dirigida ao jornal «i» e que recebi há pouco por mail:
Senhor Director,
Relativamente ao título de 1ª página do jornal “I” de hoje (29.12.2014), segundo o qual “António Costa passou o Natal a 30 km de Évora mas não foi ver Sócrates”, acentuando-se no sub-título que “o certo é que, apesar de ter passado a consoada em Montemor-o-Novo, no Alentejo, nem por isso visitou o ex-primeiro ministro”, permita-me V. Exª o seguinte desabafo:
Como é costume desde que me conheço, passei a última consoada com a minha família mais próxima, do lado paterno.
Dessa família faz parte um sobrinho, filho da minha irmã, chamado António Costa, que é Secretário-Geral do PS.
Por mera coincidência, a dita consoada foi passada em casa dele.
Não duvidei, nem por um momento, que o dono da casa fosse o meu referido sobrinho: desde a aparência física, ao tom de voz, passando pelo óbvio conhecimento das pequenas histórias familiares que sempre se relembram nestas ocasiões, tudo indicava tratar-se dele.
Daí a angústia que de mim se apossou ao saber hoje, pelo distinto jornal que V. Exª dirige, que afinal o meu sobrinho tinha passado a consoada a 30 km de Évora e que, ainda por cima ,nem sequer se tinha dignado ir visitar o seu amigo Sócrates.
Compreenderá V. Exª a razão desta angústia: quem era, então, o embusteiro que se fez passar pelo meu sobrinho, enganando-me não só a mim como à mulher, aos filhos, à mãe, ao padrasto, ao irmão, à madrasta, à tia e aos primos do verdadeiro António Costa? E que, ainda por cima, foi obsequiado com presentes de Natal como se à família pertencesse?
Ele sempre há cada uma!
Não fosse haver jornais como o “I” e imagine-se só como a opinião pública andaria enganada…
Bem haja, pois, V. Exª e o seu jornal pelos altos serviços prestados à verdade e à honradez informativa.
Creia-me, com a consideração devida,
Jorge Santos
Advogado
Palavras para quê, é uma jornalista portuguesa.