09/03/08

Reviver o passado em Lisboa ( em versão travesti )

Há duas e três décadas atrás eram operários reais. De fato de macaco e capacete. Musculados. Cheiravam a suor. Vinham da cintura industrial de Lisboa e Setúbal. Quando desciam a Avenida da Liberdade e passavam à frente da sede do PCP , no antigo hotel Vitória, lá estava o Comité Central que embevecido os saudava qual vanguarda iluminada. À época, os professores seriam os representantes de uma pequena burguesia que tinham medo da revolução mas necessários à mesma. Quando a classe operária tomasse o poder seriam reeducados. Hoje os operários continuam a existir mas os da cintura industrial de Lisboa e Setúbal reinvidicarão eventualmente aumentos salariais , outra regalias e acima de tudo a defesa do posto de trabalho. Da conquista do poder já se esqueceram. Agora quem desce a Avenida da Liberdade são professores que continuam pequeno-burgueses como Jerónimo de Sousa relembra, para as câmaras de televisão, ao afirmar "não serem a vanguarda" ( sic ). O Comité Central do PCP continua a marcar presença no mesmo local, nostálgico de não ver operários mas embevecido na mesma, bastava ver a cara do jovem apoiante da ditadura norte coreana Bernardino Soares que há 3 décadas ainda andava de fraldas e como tal não teve oportunidade de ver operários de carne e osso e sentir o cheiro do respectivo suor. Gostaria que os manifestantes vestissem fato macaco e usassem capacete. Mas não. São simples professores que não usam fato macaco e são bem cheirosos. Manifestam-se na defesa de interesses corporativos. Continuam pequeno-burgueses, mas na ausência de operários verdadeiros , o PCP acompanhado pelo BE , e estranhamente pelo PSD, acredita que possam conduzir à queda não só da ministra mas também de um governo democráticamente eleito, com maioria absoluta e com 1 ano e meio de legislatura para cumprir. E quem sabe despertar os operários para tomarem o poder.
Os outros 9.900.000 de portugueses fizeram a sua vida normal de um sábado de Março.
Nas próximas eleições legislativas todos os cidadãos terão oportunidade de analisar não só a acção global deste governo mas também os programas de todos os partidos e escolherão democráticamente quem os governará nos 4 anos seguintes.
Os professores enquanto classe profissional decidirão ( pelo menos os sindicalizados) também, em eleições sindicais, quando as houver, se os sindicatos defenderam convenientemente os seus interesses profissionais. Eventualmente as alternativas não serão tão amplas e variadas como as das eleições legislativas e aqueles que os dirigem há dezenas de anos serão reeleitos. Terão eles a capacidade de indignação que agora revelaram ? Mas isso é um problema dos professores.

1 comentário:

Anónimo disse...

O Jerónimo fica já muito contente com estas manifestações, já que não pode fazer a sua revoluçãozinha, porque o Povo Português não lhe permite tal coisa!

Uma coisa é certa...sem revolução, lá vão mobilizando o pessoal! Desta vez até o PSD levaram