25/04/08

E se tivesse sido o 16 de Março de 1974 ?

Conseguiriamos andar a gritar " Viva o 16 de Março", " 16 de Março , Sempre ", "Vivam os capitães de Março " ?
E as senhas, no RCP, teriam sido " E depois do adeus " e "Grândola" ?
Nunca o saberemos. Sabemos que foi a 25 de Abril de 1974 e que Abril é um mês que os poetas gostam de cantar. Foi um dia de sol e havia cravos, que ficavam bem nas pontas das G3.
Tempos houve que o celebrava na rua. Hoje prefiro fazê-lo em solidão até porque a felicidade desse dia foi um sentir individual mesmo que tenha andado no meio das multidões até ao 1º de Maio.
Querer celebrar um dia singular misturando-o com muitos outros que vieram a seguir é redutor, porque se esquece que depois houve um combate entre diferentes forças políticas que tinham projectos distintos. Falar dos ideais de Abril é mistificador. O 25 de Abril foi um dia singular. De festa. De queda de um regime repressivo e autoritário. De um herói, Salgueiro Maia, que montado num chaimite obrigou Marcelo Caetano a render-se.
Quem o viveu poderá contá-lo aos filhos e netos. Quem o não viveu sabe que vive num país democrático, onde há muito a melhorar. Mas isso está nas nossas mãos e não na de militares que o façam por nós. De todas as chamadas conquistas irreversíveis de Abril há uma que temos que saber defender, sempre : a liberdade.

4 comentários:

Galeota disse...

Nem mais!Viva a liberdade!

ortega disse...

Caro António: foi tudo isso e mais alguma coisa. Só não foi um dia de sol estava o céu completamente nebulado. É que eu também lá estive. Abraços

António P. disse...

Pois é Ortega...agora que me falas disso tens razão, mas na minha memória ficou gravado como um dia de sol, não terá sido por acaso.
Abraços

Al Kantara disse...

Foi um radioso dia nublado...