12/05/08

Revisitar o passado quando se abrem caixotes

O empacotar é rápido e fácil. O desempacotar tem outro ritmo e obriga-nos a uma viagem no tempo, ao passado.
Uma vela do crisma leva-me a Luanda e à então nova catedral. Uma medalha guardada com uma moeda de vinte cinco tostões (!!?) recorda-me a minha mãe. Cinzeiros e bugigangas inúteis levam-me às várias empresas onde trabalhei e hoteis onde pernotei. Calendários políticos e a letra da "Internacional" numa pequena folha amarela fazem-me regressar aos tempos da militância política. A caderneta liceal obriga-me a visitar o liceu Salvado Correia e o Liceu Nacional de Oeiras e rever, nos corredores e nas salas de aulas, alguns dos professores, para já não falar de amigos de quem perdi o rasto. Em albuns de fotografias encontro amigos com quem já não partilharei esta mudança porque partiram permaturamente. Momento de tristeza que contrasta com a alegria de rever as minhas filhas e sobrinhos quando eram crianças. Os livros são limpos do pó acumulado. Nalguns encontro dedicatórias , noutros sublinhados e notas pessoais. A música da adolescência já não é em discos de vinil ( já não tenho gira discos ) e os CD's que os substituiram não conseguem trazer de volta as emoções de então.
Além de tantas outras inutilidades que terão sido guardadas por um motivo qualquer, mas já não recordo qual. Continuo a guardá-las. 55 anos empacotados, por uns dias, nalgumas centenas de caixotes que agora vão para dentro de armários e estantes. Até quando ?

7 comentários:

Galeota disse...

Permanecerão, para sempre, no coração dos nossos filhos e dos nossos netos.

Anónimo disse...

Para mim, tem sido muito difícil decidir-me a empacotar ... quer aqui, em Maputo, quer em Lisboa. Acho que é para me manter ligada aos lugares.
Esse revisitar do passado a que as mudanças obrigam, sabe-me bem. Como tu dizes, passamos de momentos de tristeza para recordações de alegria. E sentimos que a vida tem sido cheia!
Paula

expressodalinha disse...

O comentário anterior faz todo o sentido. Eu, então, tenho mentalidade de arquivista!

Anónimo disse...

que continues a acumular muitas e boas recordações a perder de vista como na planicie alentejana de que agora disfrutas

ortega disse...

Eu cá fiz de deitar quase tudo fora uma espécie de religião, assim como ser-se céptico militante.

Galeota disse...

Tal como, o meu Pai permanece no meu coração.Eu curvo-me, perante a memória do meu Pai.

Galeota disse...

Tal como, o meu Pai permanece no meu coração.Eu curvo-me, perante a memória do meu Pai.