04/09/08

Burocracia(s) : estatal e privada

Há a do Estado. E há a das Instituições Privadas. A primeira é a mais referida e criticada. A segunda nem por isso. Normalmente é em momentos de mudança ( de local de residência, de estado civil, de actividade, etc ) que contactamos com tão poderosas organizações. Nos últimos três meses, por motivos de mudança do local de residência e por arrasto da empresa, confirmei algo de que já suspeitava : a burocracia do Estado torna-se mais leve e a das Instituições Privadas mais pesada.
As Repartições de Finanças, as Câmaras, os Centros de Saúde, etc têm dado resposta rápida às minhas solicitações. Sem grandes complicações e papeladas. A informatização existe e é utilizada. Quase tudo o que solicitei está concluido ou quase.
O mesmo não poderei dizer dos Bancos, das Companhias de Seguro, das Operadoras Telefónicas, dos Fabricantes de Automóveis, etc.
Operadoras Telefónicas que para um simples pedido de alteração de morada pedem uma cópia da Certidão Permanente da Empresa ( desconhecendo que existe um código que eu posso fornecer e lhes dá acesso automático a um portal onde a podem consultar sem necessidade de imprimi-la ) e pasme-se um recibo de água, electricidade ou outro que confirme que tenho a empresa na morada referida na certidão. Vá lá que ainda não voltaram ao velho sistema de haver dois comerciantes da zona que confirmem que eu vivo ali !!
Operadoras de net ( e não é a PT ) que para eu acabar o contrato na hora, solicitam não sei quantos papéis garantindo assim que facturan pelo menos mais um mês ...já que demoraram 3 a 4 semanas a desactivar a ligação. O mesmo fez a TV Cabo. Contrastando com a rapidez com que actuam quando se trata de angariar um novo cliente.
A marca de automóveis com quem tenho relações comerciais há 10 anos, também desconhece o código para acesso à Certidão Permanente da Empresa e vai daí pede cópias em papel e solicita reconhecimento notarial de assinaturas nos contratos de longa duração...e no dia da entrega do veículo assinei ( e a minha mulher ) para aí uns 20 papéis ( não estou a exagerar ).
Quanto aos Bancos é melhor nem falar. Num processo de venda de propriedades da famíla ( envolvendo vários herdeiros ) a um terceiro ( que por acaso também é familiar ) as surpresas são quase diárias. Com os pedidos mais absurdos de papelada e mais papelada e em que fico com a sensação de que desconhecem quer a lei quer os avanços informáticos efectuados nas Conservatórias de Registo Predial e nas Repartições de Finanças. Vai para 6 meses que o pedido de empréstimo por parte do comprador foi feito e data de escritura nem vê-la.

Notas :
1. "Boneco" do Quino.
2. Fica para outra altura e oportunidade um post sobre as vantagens de viver no interior e em pequenas localidades ( e não estou a ser irónico)

1 comentário:

Galeota disse...

Podiam inspirar-se no Simplex.