14/03/11

Portugal : um país de gerações e.....??

Antes das manifestações de dia 12 de Março só existiam os jovens da geração à rasca. Parecia que não havia mais nada. Depois das manifestações passámos a ser um país  de gerações, seja lá o que isso quer dizer.
Ele já não há patrões, assalariados, profissionais liberais, empresários, trabalhadores por conta própria, agricultores, operários, estudantes, etc.
Só há gerações.
E pelos vistos essas gerações só trabalham para o Estado contra quem , na figura do governo da ocasião , protestam e se manifestam.
Sou um estudante que frequento uma universidade privada, com propinas caras, onde a qualidade do ensino é duvidosa e a arbitrariedade dos professores é grande. Protesto contra a universidade ? Exijo que os professores cumpram os horários ? Exijo que os exames não sejam feitos às 10 horas da noite ? Faço greve ? Não, vou para a rua pedir que o governo se demita.
Sou um jovem a falso recibo verde que aceito as "regras" do empresário mas sou incapaz de o confrontar ou de me organizar com outros na mesma situação que eu  para recusar esta exploração. Manifesto-me contra esse empresário ? Não, manifesto-me contra o governo ou melhor dizendo contra os políticos.
Sou um jovem advogado ou arquitecto. Sou mal pago, quando sou, pelos "donos" ou do escritório de advogados ou do atelier de arquitectura. Trabalho fora de horas e não mas pagam. Falo com os sindicatos ou com as ordens profissionais para denunciar a situação ? Exijo aos patrões melhores condições ? Não, vou para a rua gritar e exigir que quero ser feliz.
Sou empresário ( jovem ou não ), montei uma empresa de transporte de mercadorias. A concorrência é muita, o petróleo aumenta e como tal o preço do gasóleo. Coisa que, se estivesse atento, calcularia que ia acontecer. Tento aumentar a carteira de clientes ? Tento dialogar com os clientes e aumentar o custo dos fretes ? Não, exijo do governo que me faça um desconto no gasóleo ou nas portagens das auto-estradas e como sei que posso bloquear as estradas faço lockout e digo aos jornalistas que é uma greve. E quem não me acompanhar no lockout é apedrejado.
Decidi, com a patroa, abrir uma pastelaria, no meu bairro. É negócio seguro pois se já há dez pastelarias e o Manel, que é dono de uma, ainda há uns anos andava de Fiat e agora tem  um Mercedes...Épâ, afinal isto é mais complicado que eu supunha. Não dá para pagar aos empregados. A culpa é do governo, vou já pedir redução do IVA e que o preço do leite e da farinha seja regulado por decreto lei.
etc, etc, etc,
E quando as eleições são no Verão prefiro ir para a praia. Se forem no Inverno, está muito frio e a chover, prefiro ficar em casa ou ir estrear o meu novo fato treino para o Centro Comercial mais próximo.

7 comentários:

expressodalinha disse...

Claro que no limite tens razão. Mas há inequivocamente uma culpa acentuada do(s) governo(s) que deixaram toda a gente encostar-se ao Estado e um enorme culpa das políticas seguidas. A questão fundamental é saber que alternativas neste momento.

António P. disse...

Obrigado, Jorge.
Há pelo menos uma pessoa que acha que eu tenho razão, mesmo que seja no limite:))
Pois, habituamo-nos ( pelo menos alguns ) a etr um paizinho no(s) governo(s) ( melhor no Estado) e depois não sabemos fazer nada sem ele.
Um abraço

Anónimo disse...

Ó António, então é só nos escritórios de advogados e nos ateliers de arquitectura que se abusa dos jovens (coitados...), atão e nos gabinetes de engenharia, são todos bem pagos? Tás um bocado para o corporativista.
Abraço
Ortega

António P. disse...

Caro Ortega,
Eram exemplos...mas se calhar a costela corporativista funcionou :)
mas tu conheces-me e sabes que não foi isso.
Não podia percorrer toda a lista de exemplos.
Abraço

Anónimo disse...

Eu cá estou de acordo contigo ... chega a parecer que estamos num regime socialista em que o estado nos resolve todos os problemas!!
Paula

pling a lot disse...

Atão e sem paizinho no governo
onde é que um reformado aos 57
ou um militar na reserva dos 55
até aos 80 ou 90 anos

desconta o suficiente para pagar os 30 anos de reforma?

Galeota disse...

Face à situação complexa na U.E. e em Portugal devemos todos lutar para que haja entendimento entre os principais partidos. Temos uma crise económica e não somos capazes de evitar uma crise política?!