17/01/11

A inutilidade do voto útil

A noção de voto útil nunca me foi simpática. Entre dois males votar no menor não é muito estimulante...intelectualmente.
Num passado já longínquo ( estou a ficar velho ) votei convictamente branco durante alguns anos e em vários actos eleitorais.
Depois deixei-me disso e passei a votar Partido Socialista e nos  candidatos presidenciais apoiados pelo partido, a partir de Jorge Sampaio. Com mais ou menos convicção...mas lembrando-me sempre de Alexandre O'Neil : "Ele não merece, mas vota no PS".
As eleições presidenciais de 2011 obrigaram-me a nova reflexão. Nomeadamente sobre o candidato Manuel Alegre, apoiado pelo PS, BE e MRPP/PCTP (desde ontem ).
Porque raio terei que votar em Manuel Alegre ?
Pelo seu passado anti-fascista ? Parece-me razoável mas insufuciente.
Por ter contribuido para que o regime democrático fosse uma realidade em Portugal ? Ainda mais razoável e quase suficiente.
Mas depois lembro-me da sua inexistência como deputado. Foi anos a fio deputado e não me lembro de uma única iniciativa legislativa meritória. E na última legislatura lembro-me de  ter sido contra as reformas que o 1º governo de José Sócrates tentou fazer na Educação e na Saúde, com os argumentos mais reaccionários que eram apresentados seja pelas respectivas corporações seja pelo BE e pelo PCP. Aos quais curiosamente (ou não ) a direita se juntou. Isto para já não falar da co-inceneração em Souselas.
Nos últimos 5 anos deixou-se intrumentalizar pelo tele-evangelista Francisco Louçã que pretende fracturar o PS e construir uma grande esquerda, seja o que isso for. Francisco Louçã que curiosamente ( ou não ) não o apoiou há 5 anos. Pudera, preferiu ser ele o candidato do BE para ter tempo de antena e assim fazer crescer o Bloco nas legislativas seguintes. O que conseguiu. Tele-evangelista mas não  parvo.
E agora que a campanha vai a meio o vazio de ideias é total. Passa o tempo a falar de Cavaco e não diz ao que vai se for eleito Presidente da República. Não consegue apresentar de uma forma simples e clara as ideias centrais. A campanha está morna. Não galvaniza. Perdeu a confiança de muitos militantes e votantes socialistas.
Assim sendo no próximo dia 23 de Janeiro levanto-me cedo, tomo o pequeno almoço ( como é um domingo : uns ovos estrelados com presunto , um copo de leite frio e um café ), vou até à assembleia de voto e anulo o meu voto...mas sem inscrição revolucionária.
É um acto de cidadania como outro qualquer.
No dia seguinte a democracia continua. Há que melhorá-la. Essa é a tarefa de todos nós.

9 comentários:

Galeota disse...

Voto como já tinha afirmado há muito tempo, no Dr. Fernando Nobre.

mdsol disse...

Eu vou votar. Logo se vê. Mas não quero objectivamente contribuir, por pouquinho que seja, para a reeleição de CV.

Pedro disse...

Mais um para o clube...

Anónimo disse...

Desde 74 que voto sempre. Nunca votei em branco nem nulo. Os meus amigos estão fartos de ouvir esta conversa: Tenho como princípio que, estando grato por viver em democracia (que foi o meu sonho até aos 21 anos)o meu voto tem que ser sempre em alguém, senão não faz sentido. Não é uma questão de votar no mal menor mas de votar no possível. Sinceramente acho uma irresponsabilidade não votar, votar nulo ou branco. Se estamos frustrados com a oferta temos obrigação de a criar: entrar nas estruturas partidárias e participar. A tendência é ficarmos no nosso comodismo burguês e desprezarmos os "nosso" políticos. No fundo, é-nos indiferente,ficamos todos contentes porque somos muito inteligentes e além disso temos mais que fazer, e no entanto é isso que vai matar a democracia. Depois teremos muita oportunidade de nos lamentarmos e dizermos mal de tudo.
Confesso que estou com grande dificuldade em me decidir no dia 23.Para já discordo em absoluto com o regime de semi-presidencialista. É um sistema que promove a irresponsabilidade. É votar no "tacho" supremo.
O Alegre, que seria o meu voto "tradicional", tenho vergonha de o ouvir, no Cavaco nunca votei nem vou começar agora, o "comuna" é contra os meus interesses,os outros dois devem ser bons rapazes mas não têm ideias. Querem ver que ainda vou votar no Coelho? É o único que ainda me faz sorrir.
ORTEGA

O Rural disse...

Se Cavaco não falar hoje, Alegre não tem inspiração para falar amanhã.

Helena disse...

Como é que se faz para assinar em baixo de quase tudo o que escreveu o Ortega? E da mdsol.

Outra coisa: ouvi algures que abstenção e voto branco ou nulo equivale ao mesmo, no caso das eleições para a Presidência da República. Veja lá, António, se calhar não precisa de madrugar no próximo domingo.

António P. disse...

Pois é Helena,
também gostei do que o meu amigo Ortega escreveu. Como ele é tímido :)) transmitierei pessoalmente o seu elogio.
E também da mdsol, como sempre :))
Mas continua a não me convencer.
Mas como digo : no domigo levanto-me cedo e vou anular o voto, o que é muito diferente da abstenção. Não tenho culpa que do ponto de vista de contabilidade a lei seja um absurdo.
Pena que em Berlim não possa votar...ou pode ?

Fernando Frazão disse...

Eu também subscrevo quase tudo o que o Ortega escreveu exceto (é assim que se escreve agora não é?)no que diz respeito ao "tacho". Apoucalhar a política e os políticos não melhora em nada a democracia.
Também votei sempre e não considero de todo errado, embora desconforável, o voto útil.
Desta vez vou mesmo decidir com o papel à frente.

hoje há conquilhas disse...

António: eu vou fazer o mesmo. Abraço. Tomás Vasques.